O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmou que deve viajar a Washington, nos Estados Unidos, na primeira semana de março, para uma reunião presencial com o presidente norte-americano Donald Trump, considerado hoje a figura mais poderosa do cenário político global. O encontro deve marcar uma tentativa de reaproximação direta entre os dois líderes e destravar agendas estratégicas entre Brasil e EUA.
A confirmação foi feita pelo próprio Lula em entrevista ao UOL News, nesta quinta-feira (5). Segundo ele, a conversa será ampla e franca, com foco em parcerias econômicas, investimentos e temas geopolíticos sensíveis.
Lula afirmou que a reunião terá como objetivo principal substituir trocas indiretas por um diálogo direto entre chefes de Estado. “A gente não pode ficar conversando por Twitter. Temos que sentar em uma mesa, olhar um no olho do outro e ver quais são os problemas que afligem ele e os que me afligem”, disse o presidente.
O petista destacou ainda o simbolismo do encontro. “Nós somos dois seres humanos com mais de 80 anos de idade e presidentes das duas maiores democracias do Ocidente”, afirmou, em tom conciliador.
Entre os temas centrais da reunião estão parcerias industriais, investimentos bilaterais e, especialmente, a exploração de minerais críticos e terras raras, insumos estratégicos para a transição energética, a indústria tecnológica e a segurança nacional.
Segundo Lula, o Brasil está aberto ao diálogo. “Não tem tema proibido para discutir. Podemos falar de indústrias, de minérios, de terras raras, de investimentos, de aumento das exportações”, declarou.
O presidente, no entanto, fez uma ressalva clara: “A única coisa que eu não discuto é a soberania do meu país. Essa é sagrada”.

Conselho da Paz e a reconstrução de Gaza
Outro ponto que pode entrar na agenda é o Conselho da Paz, proposto por Trump no mês passado. Lula disse considerar a adesão do Brasil, mas impôs condições. Para ele, o órgão só faria sentido se tivesse representação da Palestina e foco exclusivo na reconstrução da Faixa de Gaza.
O petista criticou o formato atual da proposta, que foi aceita por 35 dos 50 países convidados, incluindo líderes como Vladimir Putin e Benjamin Netanyahu. Parte da comunidade internacional vê o conselho como uma tentativa de esvaziar o papel do Conselho de Segurança da ONU.
Venezuela e crime organizado também entram na conversa
Lula revelou que já conversou com Trump por cerca de 50 minutos na semana passada, quando os dois trataram da situação política na Venezuela, do combate ao crime organizado internacional e da própria visita do brasileiro aos Estados Unidos.
Sobre o país vizinho, Lula afirmou que a preocupação do Brasil não está centrada em nomes ou lideranças, mas no fortalecimento da democracia e da estabilidade regional.
A reunião ocorre em um momento sensível da política internacional, marcado por disputas comerciais, reconfiguração das cadeias globais de produção e tensões geopolíticas. Para analistas, o encontro pode redefinir o tom da relação entre Brasil e Estados Unidos nos próximos anos, especialmente em áreas como energia, tecnologia e meio ambiente.




