Muito antes do surgimento dos dinossauros — e até mesmo antes da chamada explosão Cambriana — os primeiros animais da Terra podem já estar presentes nos oceanos. Uma nova pesquisa conduzida por cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) indica que ancestrais das esponjas-marinhas habitaram o planeta há cerca de 640 milhões de anos, tornando-se fortes candidatas ao posto de primeiros animais conhecidos.
O estudo combina evidências genéticas modernas com a análise de moléculas preservadas em rochas extremamente antigas. Os pesquisadores identificaram em amostras com 640 milhões de anos uma molécula lipídica rara, conhecida como 24-ipc, considerada um “fóssil químico”. Esse composto é produzido atualmente por esponjas-marinhas, o que levou a equipe a investigar sua origem biológica.
A análise apontou para o gene SMT (esterol metiltransferase), especialmente uma versão duplicada presente em esponjas modernas. Ao comparar genomas de cerca de 30 organismos — incluindo algas, plantas, fungos e esponjas — os cientistas concluíram que essa duplicação genética surgiu primeiro nas esponjas, compatível com a idade das rochas analisadas.

Três linhas de evidência
Segundo o geobiólogo Roger Summons, do MIT, os dados convergem para uma mesma conclusão.
“Temos três linhas de evidência que se apoiam mutuamente, apontando que essas esponjas estavam entre os primeiros animais da Terra”, afirmou o pesquisador.
Além do 24-ipc, o grupo identificou esteróis ainda mais raros, com 31 átomos de carbono, tanto em rochas antigas quanto em espécies atuais de esponjas do tipo demospongiae. Para confirmar a origem biológica, os cientistas sintetizaram oito variações dessas moléculas e simularam centenas de milhões de anos de fossilização. Apenas duas se comportaram exatamente como os compostos encontrados nas rochas naturais — reforçando a hipótese de origem animal.
Antes do Cambriano
Tradicionalmente, o surgimento dos animais complexos é associado ao período Cambriano, iniciado há cerca de 541 milhões de anos, quando ocorreu uma rápida diversificação da vida. Os novos dados, no entanto, sugerem que formas animais muito mais simples já existiam dezenas de milhões de anos antes.
Outro estudo citado pelos pesquisadores identificou estruturas fossilizadas no noroeste do Canadá, datadas de até 890 milhões de anos, com ramificações semelhantes às espículas orgânicas de esponjas córneas. Essas evidências indicam que os primeiros animais eram organismos simples, capazes de sobreviver em ambientes com baixo nível de oxigênio.




