Longyearbyen, uma cidade situada no arquipélago de Svalbard, na Noruega, destaca-se pela proibição singular: não se pode morrer lá. Desde os anos 1950, as autoridades locais impuseram essa regra devido às condições extremas que o solo congelado oferece.
Aproximadamente 2 mil residentes vivem em um local onde o congelamento do solo preserva os corpos sepultados, impedindo sua decomposição natural. A medida foi adotada para evitar que patógenos sejam preservados no gelo, com preocupações amplificadas pela descoberta de amostras do vírus da gripe espanhola em corpos exumados na década de 1990.
A decisão de proibir mortes e sepultamentos dentro da cidade partiu do reconhecimento dos riscos à saúde pública devido ao permafrost, que age como um freezer natural.
Os corpos enterrados não apenas permanecem intactos, mas também preservam vírus e bactérias que podem ser reativados, como evidenciado pelo vírus da gripe espanhola. O governo norueguês, por isso, recomenda fortemente que doentes terminais deixem Longyearbyen antes de falecer.
Adaptações impostas pelo frio extremo
Viver em Longyearbyen implica conformar-se a essas restrições. Moradores diagnosticados com doenças graves são incentivados a deixar a cidade, como medida preventiva para evitar sepultamentos locais.
Isso também se aplica a mulheres grávidas, que são orientadas a buscar atendimento médico fora da cidade devido à infraestrutura médica limitada.
Além das medidas práticas, a proibição de morte tem impactos culturais significativos. As condições ambientais extremas não afetam apenas o modo de vida, mas também a mentalidade dos moradores, onde a adaptação é constante e necessária.
O equilíbrio delicado que Longyearbyen mantém é ameaçado pelas mudanças climáticas, que podem alterar o permafrost e aumentar os riscos de exposição a patógenos preservados.




