Cidadãos dos Estados Unidos estão oficialmente impedidos de entrar em Burkina Faso, na África Ocidental, sem cumprir novas exigências de visto impostas pelo governo local. A medida entrou em vigor como resposta direta às restrições adotadas pelo presidente norte-americano Donald Trump, que suspendeu a entrada de burquinenses no território dos EUA desde 1º de janeiro de 2026.
A decisão foi anunciada pelo governo de Burkina Faso como uma reação às novas regras migratórias dos Estados Unidos, que ampliaram a lista de países com restrições para a emissão de vistos americanos. Além de Burkina Faso, Mali e Níger também foram incluídos na suspensão total de entrada em território norte-americano.
Em comunicado oficial, o ministro das Relações Exteriores de Burkina Faso, Jean Marie Karamoko Traore, afirmou que a medida segue o princípio da reciprocidade nas relações internacionais.
“Em conformidade com o princípio da reciprocidade, o Governo de Burkina Faso informa à opinião nacional e internacional sua decisão de aplicar medidas de visto equivalentes às dos cidadãos dos Estados Unidos da América”, declarou.
O anúncio do governo burquinense ocorre após Washington comunicar, em 16 de dezembro, a suspensão total da entrada de cidadãos de Burkina Faso, Mali e Níger. Segundo autoridades norte-americanas, a decisão foi justificada pela insuficiência de informações para avaliar os riscos representados por determinados estrangeiros.
As restrições fazem parte de uma política migratória mais rígida adotada por Trump, marcada por barreiras de entrada, revisões de acordos diplomáticos e endurecimento nos critérios de concessão de vistos.
Burkina Faso reforça soberania, mas mantém diálogo
Apesar da retaliação, o ministro Traore ressaltou que o país africano segue comprometido com o diálogo internacional.
“Burkina Faso permanece comprometido com o respeito mútuo, a igualdade soberana dos Estados e a reciprocidade nas relações internacionais”, afirmou.
Segundo ele, o país continua aberto à cooperação com parceiros internacionais, desde que baseada no respeito aos interesses recíprocos.
Efeito dominó na África Ocidental
A decisão de Burkina Faso não foi isolada. Também nesta semana, o Ministério das Relações Exteriores do Malianunciou que irá impor imediatamente aos cidadãos norte-americanos as mesmas condições de visto exigidas dos malineses para entrar nos Estados Unidos.
As reações sinalizam um efeito dominó diplomático na região do Sahel, ampliando tensões entre países africanos e o governo norte-americano, em um contexto já marcado por instabilidade política e disputas geopolíticas.




