Uma nova ponte internacional em construção no Brasil promete transformar a logística de importações e exportações do país. Integrante da Rota Bioceânica, a estrutura ligará Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, à cidade de Carmelo Peralta, no Paraguai, e poderá reduzir em até 15 dias o tempo de chegada de produtos vindos da China, segundo especialistas do setor.
Com cerca de 1,3 quilômetro de extensão, a ponte atravessará o rio Paraguai e permitirá a passagem diária estimada de até 250 caminhões. A obra é considerada estratégica por conectar o Centro-Oeste brasileiro a corredores rodoviários internacionais que levam aos portos do Chile e do Peru, no Oceano Pacífico.
Atualmente, grande parte das mercadorias importadas da Ásia chega ao Brasil pelo Oceano Atlântico, em viagens que podem durar quase um mês. Com a nova rota terrestre até o Pacífico, o trajeto marítimo até a China será significativamente encurtado.

Investimento bilionário e obras em andamento
O investimento total no projeto ultrapassa R$ 1 bilhão, somando a construção da ponte e as obras de acesso rodoviário. Segundo dados oficiais, a ponte internacional já está com cerca de 82% das obras concluídas e tem previsão de inauguração em 2026.
Já as obras brasileiras de acesso ao corredor logístico, com extensão aproximada de 2,3 mil quilômetros, estão cerca de 30% concluídas. Para finalizá-las, ainda são necessários aproximadamente R$ 200 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), valores que precisam ser assegurados no orçamento federal de 2026.
Sistema TIR deve acelerar travessias de fronteira
No fim de 2025, o Governo Federal deu um passo adicional para viabilizar plenamente a Rota Bioceânica ao aderir à Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo das Cadernetas TIR. O sistema simplifica os trâmites alfandegários e reduz o tempo de travessia nas fronteiras.
Para o secretário Jaime Verruck, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc), a medida elimina gargalos logísticos.
“Não basta ter estrada, ponte e porto: é fundamental que o fluxo de cargas seja rápido, previsível e competitivo. O sistema TIR coloca o Brasil em igualdade de condições com Argentina e Chile e torna o corredor bioceânico uma alternativa real para o mercado asiático”, afirmou.




