O rompimento da barragem de Mariana, ocorrido há mais de uma década, projeta seus desdobramentos para além das compensações ambientais já conhecidas. Dos R$ 8,6 bilhões orçados para a duplicação da BR-262 no Espírito Santo, R$ 2,3 bilhões têm origem no acordo de reparação firmado em decorrência da tragédia.
A cifra, somada à complexidade técnica do traçado, coloca o empreendimento entre as maiores obras rodoviárias atualmente em fase de planejamento no Brasil, conforme levantamento do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
A rodovia, que atravessa a região serrana capixaba, exige soluções de engenharia comparáveis às adotadas na Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo. O Dnit detalhou que o projeto prevê a construção de 28 pontes, 50 estruturas entre viadutos e passagens inferiores, quatro túneis e aproximadamente 40 quilômetros de ciclovias.
Trata-se de uma intervenção que, por seus custos elevados e riscos geotécnicos, afastou consecutivamente o setor privado em tentativas anteriores de concessão nos moldes da BR-101.
Estratégia da União
Diante da falta de interessados, a União alterou a estratégia. Em vez de buscar novamente a iniciativa privada, o governo decidiu executar a obra diretamente com recursos públicos, deixando a possibilidade de uma futura concessão apenas para o trecho de menor complexidade, localizado próximo à divisa com Minas Gerais.
O cronograma atual, estabelecido pelo governo federal, prevê o lançamento da principal licitação, referente ao trecho serrano, para o segundo semestre de 2026. Etapas preliminares, como supervisão e regularização fundiária, devem ser iniciadas ainda em abril.
Com 180,6 quilômetros de extensão, a duplicação supera o Contorno do Mestre Álvaro em volume de investimentos, consolidando-se como a maior intervenção do gênero já planejada para o Espírito Santo.




