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Novo comprimido desenvolvido por cientistas queima gordura mesmo sem exercícios físicos

Por Pedro Silvini
05/01/2026
Em Geral
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Remédio

(Reprodução/IStock)

Um novo medicamento em forma de comprimido foi capaz de estimular a queima de gordura mesmo em repouso, sem provocar perda de massa muscular, segundo testes em animais e um estudo clínico inicial com humanos. A descoberta, publicada na revista científica Cell, pode abrir caminho para uma nova abordagem no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, ao melhorar o controle da glicose e aumentar o gasto energético sem os efeitos colaterais mais comuns das terapias atuais.

Ao contrário dos medicamentos à base de GLP-1 — como Ozempic e similares —, que atuam no controle do apetite por meio da comunicação entre intestino e cérebro e são aplicados por injeção, o novo fármaco age diretamente no metabolismo do músculo esquelético. Segundo os pesquisadores, essa diferença explica por que a substância não causa efeitos frequentes associados aos GLP-1, como perda de apetite excessiva, redução de massa muscular e problemas gastrointestinais.

Em estudos pré-clínicos, o composto melhorou a composição corporal e o controle da glicemia sem sobrecarregar o coração. Esses resultados se repetiram em um estudo clínico de fase I, que envolveu 48 voluntários saudáveis e 25 pessoas com diabetes tipo 2, demonstrando boa tolerância ao tratamento.

“Nossos resultados apontam para um futuro em que podemos melhorar a saúde metabólica sem perder massa muscular. Os músculos são importantes tanto no diabetes tipo 2 quanto na obesidade, e a massa muscular também está diretamente correlacionada à expectativa de vida”, afirmou Tore Bengtsson, professor do Departamento de Biociências Moleculares do Instituto Wenner-Gren, da Universidade de Estocolmo, e um dos autores do estudo.

Agonismo enviesado evita efeitos no coração

A substância é baseada em um novo tipo de agonista beta-2 adrenérgico, desenvolvido em laboratório para ativar apenas vias específicas de sinalização celular. Diferentemente de medicamentos mais antigos, que estimulam amplamente o sistema adrenérgico — associado à resposta ao estresse —, o novo composto utiliza uma estratégia chamada de agonismo enviesado.

Na prática, o medicamento “liga” apenas a rota celular mediada pela proteína GRK2, responsável por aumentar a captação de glicose pelos músculos e elevar o gasto energético, inclusive em repouso. Ao mesmo tempo, evita ativar caminhos que aceleram excessivamente os batimentos cardíacos, reduzindo o risco de taquicardia e danos cardiovasculares.

Com isso, o fármaco consegue aumentar a queima de gordura, melhorar o controle do açúcar no sangue e preservar a massa muscular — um dos principais desafios nos tratamentos atuais contra a obesidade.

Uso isolado ou combinado com GLP-1

Outro ponto destacado pelos cientistas é que o novo medicamento pode ser usado tanto de forma isolada quanto em combinação com drogas à base de GLP-1, já que os mecanismos de ação são distintos.

“Esse medicamento representa um tipo completamente novo de tratamento e tem potencial para ser de grande importância para pacientes com diabetes tipo 2 e obesidade. Nossa substância parece promover uma perda de peso saudável e, além disso, os pacientes não precisam tomar injeções”, disse Shane C. Wright, professor assistente do Departamento de Fisiologia e Farmacologia do Instituto Karolinska e coautor do estudo. Segundo ele, a possibilidade de uso combinado amplia o valor terapêutico da descoberta.

Próximos passos e conflitos de interesse

O próximo estágio da pesquisa será um estudo clínico de fase II, planejado pela empresa sueca Atrogi AB, responsável pelo desenvolvimento do medicamento. O objetivo é avaliar se os benefícios observados em laboratório e na fase inicial também se confirmam em pessoas com obesidade ou diabetes tipo 2 em maior escala.

O trabalho é fruto de uma colaboração internacional envolvendo pesquisadores da Universidade de Estocolmo, Instituto Karolinska, Universidade de Uppsala, Universidade de Copenhague, além de instituições da Austrália. O financiamento veio de entidades como o Conselho Sueco de Pesquisa e a Fundação Novo Nordisk.

Os autores informam que alguns pesquisadores têm vínculos com a Atrogi AB. Tore Bengtsson é fundador e diretor científico da empresa e, junto com um coautor, solicitou patentes relacionadas às substâncias estudadas.

Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista em formação pela Universidade de Taubaté (UNITAU), colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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