O cinema popularizou a ideia de que todos os dinossauros gigantes possuíam mordidas poderosas, como a do Tyrannosaurus rex. No entanto, um estudo publicado na revista Current Biology desafia essa noção comum.
A pesquisa, conduzida por cientistas da Universidade de Bristol, Inglaterra, revela que as estratégias de mordida dos dinossauros variavam de acordo com sua evolução e dieta. Cada espécie de terópode carnívoro desenvolveu um tipo distinto de mordida adaptada ao estilo de caça e necessidades alimentares.
Os pesquisadores analisaram crânios fossilizados de 18 espécies de dinossauros terópodes. Utilizando varreduras 3D para digitalizar fósseis e métodos de engenharia biomecânica semelhantes aos usados em testes de estresse de pontes, eles puderam medir e simular as forças que os crânios suportavam durante a mordida.
Isso desmistificou a ideia de que apenas a força era um parâmetro de sucesso predatório. Para o T. rex, por exemplo, sua mordida esmagadora era ideal para romper ossos. Outros gigantes, como o Giganotosaurus e o Spinosaurus, desenvolveram estratégias adaptativas distintas ao ambiente em que viviam.
T. rex x seus rivais
O T. rex destacava-se por sua mordida formidável, enquanto o Giganotosaurus, encontrado na Argentina, adotava uma abordagem diferente. Com dentes afilados, o Giganotosaurus se especializou em cortar carne sem destruir os ossos, uma técnica eficaz contra predadores e carcaças. Essa adaptação ao ambiente local permitia sua sobrevivência.
O Spinosaurus, por outro lado, vivia em um cenário semiaquático. Ele desenvolveu uma mordida rápida e eficiente para capturar presas aquáticas, como peixes. Sua anatomia apresentava um focinho alongado e dentes pontiagudos, ideais para essa tarefa. Isso ilustra como as pressões ambientais influenciaram as estratégias predatórias ao longo das eras.
Diversidade de estratégias
A pesquisa revelou que a diversidade de mordidas entre os terópodes facilitava a coexistência e o sucesso individual das espécies. Dinossauros como o Allosaurus adotavam uma técnica similar à dos dragões-de-komodo modernos, rasgando carne em vez de triturar ossos.
Essa variedade sustentava diferentes nichos ecológicos, permitindo a coexistência sem competição direta por recursos.




