Scarlett Johansson, uma das atrizes mais bem-sucedidas de Hollywood, inicia um novo e decisivo capítulo de sua carreira com A Incrível Eleanor (Eleanor the Great), primeiro longa-metragem como diretora. O filme, protagonizado por June Squibb, mergulha em um retrato sensível e complexo do luto, explorando como a perda pode isolar, transformar e, paradoxalmente, criar conexões inesperadas entre gerações.
Em A Incrível Eleanor, June Squibb interpreta Eleanor Morgenstein, uma mulher espirituosa que, aos 94 anos, vê sua vida desmoronar após a morte da amiga mais próxima. Sozinha, ela decide deixar sua cidade e se mudar para Nova York, onde passa a conviver com pessoas muito mais jovens, incluindo uma estudante universitária de 19 anos, e a reconstruir sua identidade a partir de escolhas moralmente ambíguas, como mentir sobre quem realmente é.
A narrativa acompanha essa jornada delicada e, por vezes, desconfortável, revelando uma protagonista que está longe de ser idealizada. “Ela é difícil de gostar”, admite Johansson ao descrever Eleanor. “É dura com a filha, mandona, opinativa e pouco afetuosa.” Ainda assim, a diretora aposta na empatia do público ao mostrar que cada ação da personagem nasce da solidão e do amor mal resolvido pela amiga que perdeu.
Direção intimista e atuação poderosa
June Squibb entrega uma atuação marcada pela contenção e pela profundidade emocional, traduzindo o luto como uma força que consome lentamente a identidade de Eleanor. Segundo Johansson, a atriz construiu um vasto histórico interno da personagem — desejos, frustrações e expectativas — para criar uma figura que não é nem heroína nem vítima, mas profundamente humana.
Essa complexidade é potencializada pela linguagem visual escolhida pela diretora. Johansson privilegia closes fechados, expressões silenciosas e pequenos gestos, permitindo que o público vivencie a dor junto aos personagens. “É um filme guiado pela trama, mas, acima de tudo, um estudo de personagem”, afirma. A opção por luz natural e enquadramentos minimalistas reforça a intenção de tornar simples uma emoção intrinsecamente complicada.

De estrela mirim a cineasta
Scarlett Johansson estreou no cinema ainda criança, aos 11 anos, em 1994, e construiu uma carreira que ultrapassa 70 produções entre cinema e televisão. Tornou-se um ícone global ao integrar o Universo Cinematográfico Marvel como Natasha Romanoff, a Viúva Negra, papel que interpretou em nove filmes. O maior sucesso comercial da atriz foi Vingadores: Ultimato, que arrecadou US$ 2,79 bilhões em todo o mundo.
Apesar do domínio em grandes produções, o desejo de dirigir sempre esteve presente. Em 2009, ela comandou o curta These Vagabond Shoes. No entanto, foi apenas após fundar a própria produtora, a These Pictures, em 2022, que Johansson decidiu retomar esse caminho com mais liberdade criativa.




