Atire a primeira pedra quem nunca reclamou que estava “calor demais para pensar”. Pois é, e não é só impressão ou desculpa não. Um estudo recente afirma que o calor extremo pode sim prejudicar o aprendizado na infância, prejuízo que é ainda mais sentido entre crianças de famílias pobres ou de cidades sem acesso adequado à água.
Calor extremo pode prejudicar o aprendizado na infância, aponta estudo
Publicado no Journal of Child Psychology and Psychiatry, um estudo internacional analisou dados de mais de 19 mil crianças entre três e quatro anos em países de baixa e média renda, como Gâmbia, Geórgia, Serra Leoa e Malawi.
Para medir o desenvolvimento das crianças, os pesquisadores utilizaram o Índice de Desenvolvimento da Primeira Infância (ECDI), que avalia se a criança atingiu os marcos esperados para a idade em quatro áreas: alfabetização e numeracia, desenvolvimento socioemocional, abordagens à aprendizagem e desenvolvimento físico.
Depois, segundo a Superinteressante, os autores cruzaram as informações do ECDI com os dados climáticos – mais especificamente, os registros das temperaturas máximas médias anuais desde o ano de nascimento das crianças até o momento da pesquisa.
Os resultados mais expressivos foram no domínio cognitivo inicial das crianças. De acordo com a Super, crianças em ambientes em que as temperaturas médias passaram dos 30 ºC tiveram 5% a 6,7% menos chance de estar com o desenvolvimento “em dia” nas habilidades de alfabetização e matemática em comparação com crianças em que as temperaturas ficaram abaixo de 26 ºC.
Os pesquisadores também perceberam que o prejuízo foi maior em crianças de famílias pobres ou sem condição à água e saneamento básico, e em zonas urbanas o efeito foi mais acentuado do que em áreas rurais.
Eles explicam que o calor pode interferir no desenvolvimento por vários motivos. “Em termos biológicos, temperaturas elevadas aumentam o risco de desidratação, inflamação no sistema nervoso e distúrbios do sono, fatores que afetam diretamente o funcionamento do cérebro em uma fase de rápido crescimento”, afirma a Super.
O calor também tem efeitos indiretos, podendo comprometer a segurança alimentar e favorecer a disseminação de doenças, outros fatores que afetam a saúde e, consequentemente, o aprendizado de crianças.



