O maior ser vivo do mundo não é a baleia-azul, nem uma árvore milenar. O título pertence a um fungo, o Armillaria ostoyae, conhecido como cogumelo-do-mel ou, de forma mais adequada, Humongous Fungus — algo como “fungo gigantesco”. Ele vive silenciosamente no subsolo da Floresta Nacional Malheur, no Oregon (EUA), onde se espalha por uma área tão grande que faz campos e estádios de futebol parecerem pequenos.
De acordo com o Serviço Florestal dos EUA, esse único organismo ocupa cerca de 9 km² — o equivalente a 900 campos de futebol. Pesquisas confirmaram, por meio de testes genéticos, que toda essa área subterrânea é composta por um único indivíduo, conectado por redes de micélios e rizomorfos pretos, estruturas semelhantes a raízes que se estendem por quilômetros.
Estima-se que o fungo pese cerca de 35 mil toneladas, o equivalente a mais de 200 baleias-azuis — ou 60 aviões Boeing 747.
Sua idade estimada varia de 2.500 a 8.000 anos, tornando-o não apenas gigantesco, mas também um dos organismos mais antigos do planeta.

Como funciona o “fungo gigante”
O Humongous Fungus vive quase totalmente escondido no subsolo. Aqueles pequenos cogumelos dourados que aparecem no outono ao redor de troncos de árvores são apenas seus “frutos”, uma parte mínima e temporária de um organismo colossal que se espalha como uma teia subterrânea.
Ele se alimenta de árvores, funcionando como um parasita que avança lentamente — geralmente entre 20 cm e 1 metro por ano. Com o tempo, os rizomorfos envolvem a base das árvores, matando-as ao longo de décadas.
Apesar de destrutivo para florestas comerciais, o fungo também desempenha papel ecológico importante: árvores mortas acabam servindo de abrigo e alimento para várias espécies.
Uma descoberta que surpreendeu os cientistas
A presença do Armillaria ostoyae no Oregon foi identificada pela primeira vez em 1988. Inicialmente, acreditava-se que a colônia ocupava 400 acres. Porém, análises genéticas revelaram que se tratava de um único organismo cobrindo mais de 2.300 acres (aprox. 9 km²) — muito maior que outra colônia famosa em Michigan.
Esse superorganismo subterrâneo permanece quase invisível: quando aparece, parece apenas uma substância branca sob a casca das árvores ou filamentos pretos semelhantes a cadarços.
Embora seja possível encontrar indivíduos da mesma espécie na Europa, Ásia e América do Norte, o gigantesco exemplar do Oregon é único em tamanho e impacto. Seu crescimento lento, porém implacável, faz dele uma força silenciosa, moldando o ecossistema ao longo de milênios.




