A cena é familiar para muita gente: a roupa usada não está suja o suficiente para ir para a lavagem, mas também não parece limpa a ponto de voltar ao armário. A solução imediata costuma ser a mesma — a cadeira do quarto. Com o tempo, a peça vira pilha, a pilha vira hábito e a cadeira ganha uma nova função. Segundo estudos da psicologia, esse comportamento aparentemente banal pode dizer mais sobre o estado emocional e mental de uma pessoa do que se imagina.
Para especialistas, o acúmulo de roupas em um local intermediário é um exemplo clássico de procrastinação de baixa intensidade — aquela que envolve pequenas decisões do dia a dia, mas que se repete de forma constante. Procrastinar, segundo a ciência, é um comportamento autossabotador: traz alívio imediato, mas gera custos emocionais e práticos no longo prazo.
Um estudo publicado em 2014 sobre procrastinação e estratégias de enfrentamento aponta que entre 20% e 25% dos adultos no mundo são procrastinadores crônicos. O hábito está associado a níveis mais altos de estresse, ansiedade, baixa autoestima e dificuldade de controle dos impulsos.
Por que decidir o destino da roupa é tão difícil?
A psicologia explica que tarefas simples podem se tornar complexas quando envolvem ambiguidade. No caso da roupa, não existe uma regra clara: ela não está suja, mas também não está limpa. Essa indefinição exige uma decisão — e o cérebro, já sobrecarregado por escolhas maiores, tende a adiar as menores.
Além disso, especialistas apontam que a procrastinação costuma estar ligada a fatores como:
- Cansaço mental, que reduz a capacidade de organização;
- Ansiedade, que faz com que a pessoa evite qualquer tarefa, por menor que seja;
- Perfeccionismo, quando há receio de tomar a “decisão errada”;
- Baixa autoconfiança, que dificulta iniciar ou concluir ações simples.
Desorganização como reflexo emocional
Embora nem toda bagunça indique sofrimento psicológico, a repetição do comportamento pode ser um sinal de sobrecarga emocional. Estudos mostram que pessoas que procrastinam tendem a apresentar níveis mais elevados de estresse e, em alguns casos, adiam até cuidados com a própria saúde, criando um ciclo de negligência.
A psicologia também aponta relação entre procrastinação e quadros como ansiedade, depressão e TDAH, além de impactos físicos decorrentes do estresse crônico.




