Uma análise científica financiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) concluiu que não há evidências de que o uso de telefones celulares provoque câncer de cérebro. O estudo, considerado um dos mais abrangentes já realizados sobre o tema, foi publicado em 2024 na revista científica Environment International.
A revisão foi conduzida pela Agência Australiana de Proteção contra Radiação e Segurança Nuclear (Arpansa) e analisou milhares de pesquisas sobre os efeitos da radiação de radiofrequência emitida por dispositivos sem fio.
Os pesquisadores examinaram mais de 5.000 estudos científicos sobre radiofrequência e possíveis impactos na saúde humana. Após a triagem metodológica, 63 estudos observacionais realizados em 22 países, publicados entre 1994 e 2022, foram considerados os mais confiáveis para a análise final.
Essas pesquisas investigaram principalmente a relação entre a exposição à radiação emitida por dispositivos como celulares, monitores de bebês, antenas de transmissão e equipamentos de comunicação e o risco de desenvolvimento de tumores no cérebro e em outras partes do sistema nervoso central.
De acordo com o resultado da revisão sistemática, nenhum dos estudos de maior qualidade encontrou aumento significativo no risco de câncer cerebral associado ao uso de celulares.
Uso prolongado também não mostrou relação
Outro ponto analisado foi o impacto do uso prolongado dos aparelhos, incluindo pessoas que utilizam celulares há mais de dez anos.
Segundo os pesquisadores, não foi identificada relação entre tempo de uso, número de chamadas ou duração das ligações e maior risco de tumores cerebrais.
O pesquisador Ken Karipidis, um dos responsáveis pelo estudo, afirmou que a estabilidade das taxas de câncer cerebral ao longo das últimas décadas reforça a conclusão.
Segundo ele, mesmo com o crescimento explosivo do uso de smartphones em todo o mundo, os índices de tumores cerebrais permaneceram praticamente estáveis.
Radiação de celulares ainda gera debates
Celulares e outros dispositivos sem fio funcionam por meio de radiação eletromagnética de radiofrequência, o mesmo tipo de onda usado em transmissões de rádio, televisão e redes sem fio.
Apesar das preocupações recorrentes ao longo dos anos, a revisão aponta que não existem evidências científicas robustas que indiquem risco de câncer associado a esse tipo de exposição nas condições normais de uso.
Especialistas ressaltam que o câncer costuma ser resultado de uma combinação complexa de fatores, como idade, genética, tabagismo, alimentação inadequada, obesidade, sedentarismo e exposição a substâncias nocivas.




