A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou a identificação de uma nova cepa recombinante do vírus da mpox em dois pacientes — um no Reino Unido e outro na Índia — e alertou que o vírus pode estar circulando de forma mais ampla do que os registros atuais indicam. Apesar do monitoramento reforçado, a avaliação global de risco permanece inalterada.
Os dois casos envolvem uma combinação genética das linhagens Ib e IIb do vírus (MPXV). A recombinação é um processo natural que ocorre quando duas variantes infectam a mesma pessoa e trocam material genético, dando origem a uma nova versão do vírus.
Segundo a OMS, os pacientes apresentaram sintomas compatíveis com quadros já conhecidos de mpox, como febre, linfonodos inchados e lesões na pele. Nenhum deles desenvolveu formas graves da doença, e o rastreamento de contatos não identificou novas infecções associadas.
No entanto, análises genômicas detalhadas mostraram que os dois adoeceram com a mesma cepa recombinante, mesmo tendo apresentado sintomas com semanas de diferença. Isso levanta a possibilidade de que existam outros casos não detectados.
A entidade destacou que, devido ao número ainda reduzido de registros, é prematuro tirar conclusões sobre maior transmissibilidade ou gravidade da nova variante. Ainda assim, reforçou a importância da vigilância epidemiológica e do sequenciamento genético, já que testes convencionais podem não identificar adequadamente cepas recombinantes.
Situação no Brasil
Embora os casos confirmados até agora tenham ocorrido fora do país, a mpox já circula no Brasil desde 2022. No estado de São Paulo, foram registrados 44 casos confirmados em 2026 até esta sexta-feira (20), segundo dados do Núcleo de Informações Estratégicas em Saúde (Nies).
Em 2025, o estado contabilizou 422 casos. Desde o início da circulação do vírus, há quatro anos, São Paulo soma 6.048 confirmações.
Até o momento, não há registro da nova cepa recombinante no Brasil.
A OMS mantém a avaliação de risco global como moderada para homens que fazem sexo com homens com múltiplos parceiros e para profissionais do sexo, e baixa para a população em geral sem fatores específicos de risco.




