A onça-pintada mais monitorada da América do Sul voltou a surpreender pesquisadores e ambientalistas. Janaína, fêmea símbolo da conservação da espécie, foi registrada por câmeras-trampa ao lado de dois novos filhotes no Parque Nacional do Iguaçu, em área de mata localizada no lado brasileiro, em Foz do Iguaçu, muito próximo da fronteira com a Argentina. As imagens, captadas em dezembro e divulgadas após análise técnica, confirmam que os filhotes têm entre cinco e seis meses de vida e apresentam bom estado de saúde.
O flagrante é considerado um marco histórico para a biodiversidade da Mata Atlântica, bioma onde a onça-pintada (yaguareté) está em situação crítica de ameaça.
O registro foi feito no âmbito do Projeto Onças do Iguaçu, que monitora a população do maior felino das Américas na região trinacional entre Brasil, Argentina e Paraguai. Segundo os pesquisadores, Janaína é acompanhada desde 2018 e se tornou peça-chave nos esforços de recuperação da espécie.
Com esses dois novos filhotes, Janaína chega a cinco ninhadas documentadas sob monitoramento científico, o que a transforma na fêmea mais prolífica já registrada na área. De acordo com o projeto, ela teve crias em 2019, 2021, 2023, 2024 e agora em 2025, em números que variam de um a três filhotes por gestação.
As imagens mostram a fêmea circulando pela floresta com as crias durante seus deslocamentos naturais, comportamento considerado essencial para o aprendizado de caça e sobrevivência dos filhotes.
Esperança em meio a um cenário crítico
Atualmente, o Parque Nacional do Iguaçu abriga cerca de 25 onças-pintadas em seus 185 mil hectares. Trata-se do único trecho da Mata Atlântica onde a população da espécie apresenta crescimento contínuo, impulsionado justamente por nascimentos recorrentes como o de Janaína.
Ainda assim, o alerta permanece. Estimativas indicam que restam menos de 300 onças-pintadas em toda a Mata Atlântica, número que evidencia o alto risco de extinção regional. Perda de habitat, atropelamentos, caça ilegal e conflitos com atividades humanas seguem entre as principais ameaças.
O nome Janaína, que significa “senhora das águas”, foi escolhido pelos pesquisadores em alusão à forte ligação da onça-pintada com rios e áreas úmidas da floresta. Cada novo registro da fêmea com filhotes reforça, segundo os especialistas, a urgência de manter políticas de conservação, corredores ecológicos e fiscalização ambiental.




