O governo federal avalia que é possível aprovar o fim da escala de trabalho 6×1 ainda em 2026, ano eleitoral, e vê a mudança como estratégica tanto do ponto de vista social quanto político. A declaração foi feita pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que classificou o atual modelo de jornada como “cruel” e defendeu a redução da carga horária como prioridade da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em entrevista ao programa “Bom Dia, Ministro”, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), nesta quarta-feira (7), Luiz Marinho afirmou que não vê contradição em discutir uma reforma trabalhista desse porte em ano de eleições.
“Se é possível no calendário do ano eleitoral você aprovar uma medida tão importante como essa e com forte impacto no mercado de trabalho? Sim, isso é plenamente possível. Muita gente vê como uma contradição, eu vejo como uma possível oportunidade”, afirmou o ministro.
Segundo Marinho, o fim da escala 6×1 — em que o trabalhador atua seis dias e descansa apenas um — é uma das pautas centrais do governo, especialmente por seus impactos na qualidade de vida dos trabalhadores.

Mobilização social como chave para aprovação
Para garantir a votação da proposta antes do pleito, o ministro destacou a necessidade de uma mobilização nacional dos trabalhadores, capaz de pressionar o Congresso Nacional e o setor empresarial.
“A efetiva participação da sociedade é um motor necessário, importante no processo de convencimento a cada deputado e deputada, a cada senador e senadora e ao empresariado também”, disse.
“É plenamente possível dizer a toda a atividade econômica do Brasil que dá para acabar com a seis por um, mantendo as necessidades econômicas do país”, completou.
Marinho ressaltou ainda que a escala 6×1 atinge de forma mais dura determinados grupos, especialmente as mulheres, que acumulam responsabilidades profissionais e domésticas.
Propostas em tramitação no Congresso
Atualmente, dois textos que tratam da redução da jornada de trabalho estão em análise no Legislativo. No Senado, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, em dezembro, uma proposta que estabelece jornada de até oito horas diárias e 36 horas semanais, distribuídas em até cinco dias por semana. O texto ainda aguarda votação no plenário da Casa.
Já na Câmara dos Deputados, a PEC nº 8 de 2025 propõe uma redução mais ampla, com jornada máxima de 36 horas semanais em quatro dias de trabalho. A matéria está em debate em uma subcomissão especial criada para discutir o tema.



