O mês de nascimento pode influenciar mais do que a data da festa de aniversário: segundo diferentes pesquisas internacionais, fatores sazonais — como clima, exposição ao sol, nutrição e incidência de infecções — podem afetar o desenvolvimento neurológico ainda nos primeiros meses de vida.
Embora não determinem a inteligência, esses elementos ajudam a explicar por que crianças nascidas em agosto e setembro tendem a apresentar desempenho escolar superior ao de colegas de outras épocas do ano.
Estudos educacionais mostram que alunos nascidos entre agosto e setembro costumam ser os mais velhos da turma, dependendo do corte escolar de cada país. Essa diferença de apenas alguns meses resulta em maior maturidade neurológica, o que pode refletir em notas mais altas, melhor comportamento e maior autoconfiança.
Pesquisadores destacam que, ao longo da vida escolar, essa vantagem inicial pode influenciar até escolhas de carreira. Já crianças nascidas entre janeiro e março, geralmente as mais novas, aparecem com leve desvantagem nos primeiros anos de estudo.
Pesquisas divergem sobre “bebês do fim do ano”
Durante muitos anos, estudos de Harvard ganharam destaque ao sugerir que crianças nascidas entre outubro e dezembro apresentariam maior criatividade e desempenho superior em testes de QI. Os pesquisadores argumentavam que ser o mais novo da turma poderia estimular adaptação, esforço extra e pensamento criativo.
Mas essa interpretação foi revista por trabalhos mais recentes.
Um estudo de 2023 publicado na revista Labour Economics, com dados de mais de 1 milhão de estudantes japoneses, mostrou que crianças mais jovens dentro da mesma série apresentam, na média, notas mais baixas e desempenho inferior também em habilidades não cognitivas, como autocontrole e perseverança.
Segundo os autores, essas diferenças não se fecham totalmente nem mesmo ao final do ensino secundário.
Vantagem ou desvantagem? Nova pesquisa esclarece
A hipótese de que ser o mais novo da turma desenvolve “resiliência natural” não se confirmou de forma consistente. O estudo japonês indica que muitos desses alunos obtêm melhora graças a investimentos compensatórios — como mais horas de estudo, aulas particulares e reforço familiar —, o que reduz desigualdades, mas pode limitar o tempo dedicado a esportes, lazer e atividades criativas.
Já nascidas no período de agosto e setembro, as crianças se beneficiam da maturidade adicional sem a necessidade de esforço compensatório, o que ajuda a explicar o desempenho superior observado em diversos países.




