A Petrobras paralisou temporariamente a perfuração do bloco FZA-M-059, na bacia da Foz do Amazonas, após a confirmação de um vazamento de fluido no último domingo (4). Segundo a estatal, a ocorrência envolveu a perda de um fluido secundário utilizado na perfuração, e não um escape de petróleo. A interrupção foi adotada como medida de segurança para inspeção e reparo das tubulações.
De acordo com a companhia, o vazamento ocorreu em duas linhas auxiliares — tubulações de apoio que conectam o navio-sonda ao poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá. Assim que a perda foi identificada, o fluido foi contido e isolado, sem registro de impactos ao meio ambiente ou às pessoas.
Fluido foi contido e operação segue segura, diz estatal
Em nota, a Petrobras informou que as atividades foram suspensas para que as tubulações fossem levadas à superfície, avaliadas e reparadas. A empresa destacou que não houve comprometimento da sonda nem do poço.
“Não há problemas com a sonda ou com o poço, que permanecem em total condição de segurança. A ocorrência também não oferece riscos à segurança da operação de perfuração”, afirmou a Petrobras, em comunicado oficial.
O fluido envolvido no incidente é conhecido como “lama de perfuração”, substância usada para resfriar a broca, remover fragmentos de rocha e controlar a pressão do poço. Segundo a estatal, trata-se de um fluido à base de água, com aditivos de baixa toxicidade, biodegradável e dentro dos limites ambientais permitidos. A empresa informou ainda que notificou os órgãos competentes e adotou todas as medidas de controle previstas nos protocolos operacionais.

Exploração na Margem Equatorial segue sob debate
A perfuração na Foz do Amazonas teve início após autorização concedida pelo Ibama em outubro de 2025. O aval é restrito à pesquisa exploratória, etapa em que não há produção de petróleo, apenas coleta de dados geológicos para verificar a existência de petróleo e gás em escala comercial.
A área faz parte da chamada Margem Equatorial, que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e é considerada uma das novas fronteiras da exploração de petróleo no país. O projeto, no entanto, enfrenta forte oposição de ambientalistas, enquanto especialistas do setor energético defendem seu potencial estratégico para o Brasil.
A previsão da Petrobras é que a fase exploratória dure cerca de cinco meses. Somente após esse período será possível avaliar os resultados da perfuração e a viabilidade econômica da área.
Segundo estimativas do Ministério de Minas e Energia (MME), a Margem Equatorial poderia abrigar reservas capazes de produzir até 1,1 milhão de barris de petróleo por dia. Estudos da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) apontam um volume recuperável de até 6,2 bilhões de barris de óleo equivalente apenas na Bacia da Foz do Amazonas.




