Uma ponte internacional em construção entre o Brasil e o Paraguai deve ser concluída em 2026 e já é apontada como uma das obras mais estratégicas para a logística sul-americana. Com 350 metros de vão central sobre o rio Paraguai, a estrutura vai ligar Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, à cidade de Carmelo Peralta, no Paraguai, consolidando a Rota Bioceânica e encurtando o caminho entre o Centro-Oeste brasileiro e os portos do Oceano Pacífico.
Após a retomada dos trabalhos em 7 de janeiro, depois do recesso de fim de ano, a construção avançou rapidamente. Em cerca de dez dias, a ponte evoluiu 12 metros, restando atualmente 128 metros para que as duas frentes da obra se encontrem e estabeleçam a ligação física definitiva entre Brasil e Paraguai.
Segundo o cronograma, a expectativa é que essa conexão seja concluída até o fim de maio. Depois disso, terá início a fase final, que inclui a implantação de calçadas, pistas de rolamento, iluminação viária e ornamental, além da pavimentação e sinalização.
Impacto logístico e econômico
Com aproximadamente 1,3 quilômetro de extensão total, a ponte permitirá a circulação diária estimada de até 250 caminhões. Especialistas apontam que a nova rota pode reduzir em até 15 dias o tempo de transporte de mercadorias vindas da China, ao encurtar o trajeto marítimo pelo Pacífico em comparação ao percurso tradicional pelo Oceano Atlântico.
Hoje, boa parte das importações asiáticas leva quase um mês para chegar ao Brasil. Com a Rota Bioceânica, a conexão terrestre até os portos do Chile e do Peru torna o caminho mais rápido e competitivo.
Investimentos e obras complementares
O investimento total no projeto ultrapassa R$ 1 bilhão, considerando a ponte e as obras de acesso rodoviário. De acordo com dados oficiais, a estrutura principal já atingiu cerca de 82% de execução.
No lado brasileiro, as obras de acesso ao corredor logístico, que somam aproximadamente 2,3 mil quilômetros, estão cerca de 30% concluídas. Para finalizar essa etapa, ainda serão necessários cerca de R$ 200 milhões em recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que precisam ser garantidos no orçamento federal de 2026.



