O Congresso do Peru destituiu o presidente interino José Jerí nesta terça-feira, dia 17 de fevereiro. A decisão, tomada com 75 votos a favor, ocorreu apenas quatro meses após Jerí assumir o cargo, ampliando a crise política do país. Ele foi afastado devido a reuniões secretas com empresários chineses, suscitando suspeitas de tráfico de influência.
O Congresso aproveitou um mecanismo de censura, que exige apenas maioria simples, para agilizar o processo.

Contexto
As reuniões de Jerí com empresários chineses ocorreram em Lima, sem registros oficiais, gerando forte oposição no Legislativo. O processo de votação pela censura, menos rígido que um impeachment, contou com a participação de 130 parlamentares, dos quais 75 votaram a favor e 24 contra, com três abstenções.
Este método de censura se tornou uma técnica estratégica de resposta rápida a crises políticas no Peru.
Influência chinesa
O escândalo, apelidado de “Chifagate”, evidenciou a crescente presença da China no país. Empresas chinesas têm investido em diversos projetos de infraestrutura no Peru, como o megaporto de Chancay, parte da Iniciativa do Cinturão e Rota.
Esses investimentos geram debates sobre a soberania peruana e a transparência nas decisões políticas. A preocupação sobre a influência econômica chinesa reflete-se nos debates políticos e na reação pública dividida.
Desafios do governo peruano
O Congresso peruano agora precisa escolher um novo líder interino até as eleições gerais previstas para abril. Esse cenário cria um ambiente político instável e incerto, intensificando a vigilância de organizações internacionais e países vizinhos, atentos à estabilidade da região.
A troca frequente de lideranças desde 2016, com oito presidentes diferentes, demonstra uma forte instabilidade governamental.




