A explosão no consumo de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, está transformando o mercado farmacêutico brasileiro e já provoca impactos bilionários na balança comercial. Somente em 2025, o Brasil importou US$ 1,669 bilhão (cerca de R$ 9 bilhões) em canetas emagrecedoras, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A tendência é de crescimento acelerado, impulsionada pela demanda recorde e pela expectativa de redução de preços com o fim de patentes a partir de 2026.
Os números revelam um salto de 88% na importação desses medicamentos em apenas um ano, volume que já supera compras externas de produtos tradicionalmente fortes, como salmão, telefones celulares e azeite de oliva.
A Dinamarca, onde fica a sede da Novo Nordisk — fabricante do Ozempic e do Wegovy —, lidera como principal origem das importações, com US$ 734,7 milhões, o equivalente a 44% do total. No entanto, o cenário mudou rapidamente.
Os Estados Unidos aparecem logo atrás, com US$ 593,7 milhões (35,6%), impulsionados pela forte entrada do Mounjaro, produzido pela farmacêutica Eli Lilly. Enquanto as compras vindas da Dinamarca cresceram apenas 7% no último ano, as importações originárias dos EUA dispararam 992%, indicando que o avanço recente do mercado brasileiro foi puxado principalmente pelo novo concorrente.

Mercado deve quintuplicar até 2030
Relatório do Itaú BBA aponta que o mercado de medicamentos para emagrecimento no Brasil ainda está longe do teto. A projeção é de crescimento do atual patamar de cerca de US$ 1,8 bilhão por ano para US$ 9 bilhões (aproximadamente R$ 50 bilhões) até 2030.
Esse avanço é explicado pela ampliação do público consumidor, pelo uso contínuo dos medicamentos e pela consolidação dessas terapias como tratamento não apenas para obesidade, mas também para doenças metabólicas associadas.

Fim de patente deve baratear os preços
Uma virada importante está prevista para 2026, com o vencimento da patente da semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy. A expectativa da indústria é que a chegada de versões genéricas e similares provoque uma redução de preços entre 30% e 50%, segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo. Atualmente, o custo mensal desses medicamentos varia entre R$ 900 e R$ 3.000.
O Sindusfarma (Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos) avalia que o fim da exclusividade tende a democratizar o acesso. “A concorrência é o principal mecanismo de controle de preços”, aponta a entidade.
Dados da Anvisa mostram que o setor já se prepara para a nova fase. Há 11 pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida e sete de liraglutida, princípio ativo do Saxenda e do Victoza, cuja patente expirou em novembro.
Além disso, a agência analisa pedidos de medicamentos biológicos, incluindo combinações de semaglutida com insulina de aplicação semanal. EMS, Eurofarma e Hypera já anunciaram investimentos robustos para produzir versões nacionais mais acessíveis.




