A Câmara Municipal de Porto Alegre discute um projeto de lei que pode mudar o cenário das corridas de rua na capital gaúcha. A proposta, de autoria do vereador Moisés Barboza (PSDB), prevê que todo participante de provas com percurso superior a três quilômetros apresente um atestado médico de aptidão física válido por até 12 meses. O texto está em tramitação avançada e divide opiniões entre a comunidade médica e os organizadores de eventos esportivos.
Se aprovado, o atestado poderá ser entregue fisicamente no ato da inscrição ou em formato digital, nos casos online, cabendo ao organizador validar a autenticidade. Ficam dispensados da exigência apenas eventos recreativos, sem caráter competitivo, com distância inferior a 3 km. Também estão liberados os atletas que já tenham apresentado o documento em outra prova do mesmo organizador, desde que ainda dentro do prazo de validade.
O autor do projeto defende a medida como forma de prevenir mortes súbitas durante competições. O caso recente do estudante João Gabriel Hofstatter de Lamare, 20 anos, que faleceu na 40ª Maratona Internacional de Porto Alegre, é citado como motivação. “Queremos encontrar um padrão que não inviabilize as corridas, mas que também gere proteção e conscientização à questão”, afirmou Barboza.
Críticas e preocupações
Organizadores de eventos alertam que a medida pode afastar participantes, sobretudo de baixa renda. O presidente da Associação Brasileira de Organizadores de Corrida de Rua e Esportes Outdoor (Abraceo), Guilherme Celso, argumenta que “o sedentarismo e a obesidade matam muito mais do que as corridas”. Ele também questiona a logística de validar milhares de documentos em cada evento.
Já representantes da comunidade médica apoiam a iniciativa. O presidente da Sociedade Gaúcha de Medicina do Exercício e do Esporte, Márcio Dornelles, destaca que avaliações prévias podem detectar problemas cardíacos silenciosos e salvar vidas.
Próximos passos
O projeto ainda precisa passar pelas comissões da Câmara e ser votado em plenário. Em caso de aprovação, organizadores que descumprirem a exigência estarão sujeitos a multa de R$ 900 e até suspensão do alvará por dois anos em caso de reincidência.
Entre o incentivo à saúde pública e o risco de criar barreiras para a prática esportiva, a discussão promete mobilizar corredores, médicos e autoridades nos próximos meses.




