Uma das propriedades mais emblemáticas ligadas à história do narcotráfico na América Latina acaba de mudar de dono. A mansão que pertenceu a Pablo Escobar, líder do Cartel de Medellín, foi vendida em leilão público por aproximadamente R$ 110 milhões, apesar de estar abandonada e em ruínas desde os anos 1990.
Localizada na cidade turística de Guatapé, a leste de Medellín, a propriedade foi construída no fim da década de 1980 e batizada de La Manuela, em homenagem à filha do narcotraficante. O imóvel fica às margens de um lago artificial e chegou a ser protegido por um esquema de segurança formado por cerca de 120 homens armados, reflexo do poder e da paranoia de Escobar no auge de sua influência.
As paredes duplas da mansão teriam sido projetadas para esconder grandes quantidades de dinheiro e cocaína. Escobar liderava uma organização responsável por contrabandear mais de 80% da cocaína consumida nos Estados Unidos e, no auge, chegou a ser apontado como o sétimo homem mais rico do mundo, com ganhos estimados em cerca de US$ 500 milhões por semana. Estima-se que aproximadamente 5 mil assassinatos estejam ligados à atuação do narcotraficante.

Explosões e abandono marcaram o fim do imóvel
Em 1993, pouco antes da morte de Escobar, a mansão foi parcialmente destruída por explosivos. O ataque foi atribuído ao grupo Los Pepes, formado por ex-aliados do traficante e financiado pelo rival Cartel de Cali. Cerca de 200 quilos de TNTforam detonados na propriedade, que desde então permaneceu abandonada.

Mesmo em ruínas, o local seguiu atraindo milhões de turistas curiosos ao longo das décadas. Algumas estruturas resistiram à destruição, como um campo de futebol que também funcionava como heliponto, a casa do mordomo e um prédio usado como bar e restaurante. A piscina, porém, tornou-se inutilizável devido à deterioração e contaminação da água.
Venda é celebrada como vitória do Estado
A venda foi confirmada pela Sociedad de Activos Especiales (SAE), agência do governo colombiano responsável pela administração de bens apreendidos do crime organizado. O imóvel foi arrematado após leilão público, cujo valor inicial era de pouco mais de 11 milhões de libras.
Após a morte de Escobar, o terreno foi cuidado por cerca de 30 anos pelo jardineiro William Duque, que acabou deixando o local em 2019. Desde então, a mansão foi sendo tomada pela vegetação e perdeu ainda mais de sua estrutura original.




