Após décadas à beira da extinção, o mico-leão-dourado voltou a ocupar a Mata Atlântica fluminense em números que animam pesquisadores e ambientalistas. Levantamento acompanhado pelo Jornal Nacional em 2023 mostrou que a população da espécie chegou a quase 5 mil indivíduos, um crescimento histórico se comparado aos cerca de 200 animais registrados nos anos 1980, quando o primata corria sério risco de desaparecer.
O monitoramento é realizado no município de Silva Jardim, a cerca de 115 quilômetros do centro do Rio de Janeiro, onde técnicos percorrem áreas de floresta para mapear os grupos existentes. A estratégia envolve o uso de um equipamento que reproduz fielmente o som do mico-leão-dourado, funcionando como chamariz.
Durante o trabalho, os pesquisadores utilizam máscaras para evitar a transmissão de doenças como gripe, Covid-19 e febre amarela, que já causou grande mortandade da espécie em anos recentes.
Os micos-leões-dourados são territorialistas. Cada família tem, em média, seis a oito indivíduos e ocupa uma área equivalente a cerca de 60 campos de futebol. A contagem considera tanto a observação direta quanto a identificação pelos sons característicos emitidos pelos animais.

De símbolo da extinção a exemplo de recuperação
O crescimento da população é resultado direto de décadas de esforços coordenados de conservação, incluindo proteção de áreas de floresta, criação de corredores ecológicos e programas de reintrodução. Hoje, o mico-leão-dourado ( Leontopithecus rosalia ) é reconhecido internacionalmente como um dos maiores casos de sucesso da preservação da fauna brasileira.

O contraste é evidente quando comparado a outro primata do mesmo gênero: o mico-leão-de-cara-preta ( Leontopithecus caissara ), considerado atualmente o macaco mais ameaçado do Brasil. Restrito ao litoral do Paraná e ao sul de São Paulo, ele conta com cerca de 400 indivíduos e é classificado como “criticamente em perigo” pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).




