A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, afeta cerca de 27,9% da população brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde. Embora fatores genéticos respondam por aproximadamente 90% dos casos, hábitos como sedentarismo, alimentação inadequada, excesso de sal e consumo de álcool agravam o quadro. Agora, pesquisas científicas indicam que um alimento popular — o chocolate amargo — pode atuar como aliado na prevenção da doença.
Um estudo publicado na revista Nature Scientific Reports identificou uma associação entre o consumo de chocolate amargo e um menor risco de desenvolvimento da hipertensão. De acordo com os pesquisadores, o benefício está ligado à presença de flavonoides, compostos bioativos encontrados no cacau.

Essas substâncias auxiliam na dilatação das artérias e reduzem a resistência dos vasos sanguíneos, o que contribui para a melhora da circulação e o controle da pressão arterial. A pesquisa analisou dados genômicos disponíveis publicamente para compreender a relação entre o consumo do doce e a redução do risco de doenças cardiovasculares.
Além da pressão alta, os cientistas também observaram uma possível associação entre o consumo de chocolate amargo e a diminuição do risco de tromboembolismo venoso. Apesar disso, os autores reforçam que novos estudos ainda são necessários para confirmar os efeitos.
O papel da teobromina e outros benefícios
Outras pesquisas reforçam os potenciais benefícios do cacau. Um estudo publicado na revista Aging analisou a teobromina — um composto presente em grande quantidade no chocolate amargo e pertencente à mesma família química da cafeína.
Ao avaliar amostras de sangue e dados genéticos de participantes do Reino Unido e da Alemanha, os pesquisadores observaram que níveis mais elevados de teobromina estavam associados a um envelhecimento biológico mais lento. O composto também foi relacionado a telômeros mais longos, estruturas que protegem os cromossomos e estão ligadas à saúde celular.
Os cientistas alertam, no entanto, que os resultados não significam a recomendação de consumo irrestrito de chocolate. A orientação é optar por versões com alto teor de cacau — acima de 70% — que concentram mais flavonoides e teobromina e possuem menor quantidade de açúcar.




