A polêmica envolvendo o apresentador Carlos Massa, o Ratinho, e a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) gerou questionamentos sobre a permanência do comunicador no SBT. No entanto, a emissora afirmou que não pretende demitir o apresentador e que o episódio já foi discutido internamente.
A controvérsia começou após declarações feitas por Ratinho durante o programa ao vivo na quarta-feira (11), quando ele afirmou que a parlamentar “não é uma mulher”. A fala foi classificada como transfóbica por críticos e provocou forte repercussão nas redes sociais e no meio político.
Em nota divulgada posteriormente, o SBT declarou que o assunto foi resolvido internamente. “Ratinho é um dos principais apresentadores e parceiros do SBT. O assunto foi tratado internamente com todos os envolvidos no episódio e já solucionado”, informou a emissora, acrescentando que não voltará a comentar o caso.
Ratinho sobre Erika Hilton na Presidência da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados:
— Luiz Ricardo (@excentricko) March 12, 2026
– Ela não é mulher. Ela é trans. Mulher, pra ser mulher, tem que ser mulher! Tem que ter útero, tem que menstruar! #ProgramaDoRatinho | @ErikakHilton pic.twitter.com/z165rOi7M2
A situação envolvendo Ratinho tem particularidades contratuais. Desde 2009, o apresentador mantém uma parceria empresarial com o SBT na produção do Programa do Ratinho. Nesse modelo, ele divide custos e lucros da atração com a emissora da família Abravanel.
Por esse motivo, a relação não segue o mesmo formato de um contrato tradicional de trabalho. Ratinho foi funcionário contratado entre 1998 e 2008, mas atualmente atua como parceiro do projeto, o que dificulta a aplicação de punições disciplinares comuns a empregados da emissora.
Além disso, o apresentador mantém uma relação próxima com a direção do canal e participa informalmente de discussões sobre programação. Ele integra um grupo interno apelidado de “conselho”, ao lado de nomes como César Filho e Celso Portiolli.
Pedido de desculpas e tentativa de conciliação
Nos bastidores, a direção do SBT adotou uma postura diplomática para conter a crise. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Leo Dias, Daniela Beyruti, presidente da emissora e filha de Silvio Santos, entrou em contato diretamente com Erika Hilton.
Durante a conversa, ela teria pedido desculpas formais e esclarecido que as opiniões do apresentador não representam o posicionamento institucional da empresa.
A própria deputada confirmou o contato durante participação em um programa de televisão. Comentando o episódio, a jornalista Chris Flores afirmou que a atitude da executiva reflete a necessidade de posicionamento institucional da emissora, que opera uma concessão pública.
Processo judicial e repercussão
Após o episódio, Erika Hilton ingressou com uma ação judicial por transfobia contra Ratinho. A parlamentar pede indenização de R$ 10 milhões, valor que, segundo ela, será destinado a mulheres vítimas de violência caso a Justiça reconheça o pedido.
O caso também mobilizou outras figuras conhecidas da televisão brasileira. Personalidades como Xuxa Meneghel e Mara Maravilha se manifestaram sobre a controvérsia nas redes sociais, ampliando o debate sobre os limites das opiniões expressas em programas ao vivo.




