Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em São Francisco revelou que o uso frequente de medicamentos para dormir pode aumentar significativamente o risco de demência, incluindo o Alzheimer. Os dados foram publicados na revista científica Journal of Alzheimer’s Disease e reforçam preocupações sobre o uso prolongado desse tipo de substância.
A pesquisa acompanhou cerca de 3 mil idosos, com média de 74 anos, ao longo de aproximadamente nove anos. Durante esse período, 20% dos participantes desenvolveram algum tipo de demência.
Os resultados indicaram que participantes brancos que utilizavam remédios para dormir com frequência, classificados como uso “frequente” ou “quase sempre”, apresentaram 79% mais chances de desenvolver demência em comparação com aqueles que faziam uso raro ou inexistente.
Diferenças entre grupos e fatores de risco
Entre os participantes negros, o estudo não identificou aumento significativo no risco de demência associado ao uso de soníferos. Segundo os pesquisadores, essa diferença pode estar relacionada a fatores socioeconômicos e ao menor consumo desses medicamentos nesse grupo.
A análise também aponta que o tipo de medicamento pode influenciar diretamente os resultados. Substâncias como benzodiazepínicos e sedativos conhecidos como “Z-drugs” foram mais utilizados entre participantes brancos, o que pode ajudar a explicar a diferença observada no risco.
Além disso, os pesquisadores destacam que o acesso a tratamentos e o nível de reserva cognitiva, capacidade do cérebro de resistir a danos, podem interferir na forma como a doença se desenvolve em diferentes populações.
Alternativas e cautela no uso
Os autores do estudo ressaltam que os resultados não significam que todos os medicamentos para dormir causam demência, mas indicam a necessidade de cautela, especialmente em casos de uso frequente e prolongado.
Como alternativa, especialistas recomendam priorizar abordagens não medicamentosas, como terapias comportamentais para insônia, além da investigação adequada das causas do distúrbio do sono antes da prescrição de remédios.
O estudo reforça a importância de um acompanhamento médico rigoroso e da avaliação individualizada de riscos, especialmente em idosos, grupo mais vulnerável ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas.




