Derrotada por Donald Trump nas eleições presidenciais de 2016, Hillary Clinton voltou ao centro do debate político nos Estados Unidos após revelar que foi questionada sobre teorias envolvendo objetos voadores não identificados (UAPs) e supostos alienígenas durante um depoimento oficial relacionado ao caso Jeffrey Epstein.
A ex-secretária de Estado afirmou que, ao prestar esclarecimentos no âmbito da investigação sobre o bilionário acusado de crimes sexuais, foi surpreendida por perguntas sobre a chamada “teoria do UFO de Gilgamesh”.
Segundo Clinton, um dos questionamentos envolveu a alegação de que ela teria sido impedida de acessar informações sobre a suposta descoberta do túmulo de Gilgamesh — herói da antiga Mesopotâmia — que, de acordo com teóricos da conspiração, esconderia provas da existência de alienígenas.
A ex-primeira-dama também relatou ter sido indagada sobre a teoria conhecida como “pizzagate”, já desmentida e amplamente classificada como falsa. “Comecei a ser questionada sobre UFOs e uma série de perguntas sobre pizzagate, uma das teorias mais vis e falsas propagadas na internet”, declarou, sem identificar qual parlamentar fez as perguntas.
Clinton afirmou que o foco do depoimento fugiu do escopo da investigação principal e sugeriu que a iniciativa teria motivação política.

Caso Epstein e tensão política
O depoimento ocorreu no contexto das investigações sobre Jeffrey Epstein e sua associada, Ghislaine Maxwell. Clinton reconheceu que Maxwell foi uma “conhecida casual” e que compareceu ao casamento de sua filha, Chelsea, em 2010, como acompanhante de um convidado.
O presidente do comitê responsável pela oitiva, o republicano James Comer, classificou a sessão como “produtiva” e destacou que Clinton teria respondido à maioria das perguntas. Ele observou, porém, que a ex-secretária frequentemente respondeu “não sei, pergunte ao meu marido” quando questionada sobre possíveis conexões entre Bill Clinton, Epstein e Maxwell.
Nem Hillary nem o ex-presidente Bill Clinton foram formalmente acusados de irregularidades no caso.
Eleição de 2016 e polarização
Hillary Clinton perdeu a eleição presidencial de 2016 para Donald Trump no Colégio Eleitoral, por 306 votos a 232, embora tenha vencido no voto popular, com cerca de 62,3 milhões de votos contra 61,1 milhões do republicano.
O pleito evidenciou a forte polarização do eleitorado americano. Pesquisas do Pew Research Center à época mostraram diferenças profundas entre eleitores democratas e republicanos, especialmente em temas como imigração, mudanças climáticas, desigualdade social e controle de armas.
Clinton acusou o comitê republicano de tentar desviar o foco de questionamentos envolvendo Trump e sua antiga relação com Epstein. “Vocês me obrigaram a testemunhar, plenamente cientes de que não tenho conhecimento que ajude na investigação, para desviar a atenção das ações do presidente Trump”, declarou.




