A empresa chinesa de delivery Keeta, considerada uma das principais rivais do iFood no mercado global, realizou uma demissão em massa no Rio de Janeiro poucos meses após anunciar sua entrada no Brasil. Cerca de 200 funcionários foram desligados nesta semana após o adiamento do início das operações na capital fluminense.
Segundo relatos de trabalhadores, os funcionários foram convocados para uma reunião na manhã de quarta-feira (4), inicialmente apresentada como um encontro de alinhamento. Nos bastidores, porém, já havia expectativa de cortes na equipe. Após os desligamentos, apenas 36 profissionais permaneceram na operação local.
A demissão ocorreu após a empresa suspender, às vésperas do lançamento, o início das atividades no Rio de Janeiro. A estreia da plataforma estava prevista para o fim de fevereiro e seria celebrada em um evento em um hotel de luxo na Zona Sul da cidade, mas acabou sendo adiada sem previsão de nova data.
Em nota, a Keeta informou que a decisão faz parte de uma estratégia para reorganizar o mercado e melhorar os padrões de serviço antes de expandir as operações para outras regiões do país. A empresa afirmou ainda que a operação em São Paulo continua normalmente.
De acordo com o CEO global da plataforma para o portal Poder360, Tony Qiu, o adiamento ocorreu após a companhia identificar obstáculos para fechar contratos com restaurantes da região. Segundo ele, mais da metade dos estabelecimentos com cinco ou mais unidades estariam impedidos de firmar parceria com a Keeta devido a cláusulas de exclusividade com outras plataformas.

Disputa no mercado de delivery
Qiu afirma que essas práticas violam decisões do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que já havia determinado restrições a contratos exclusivos no setor de delivery.
Em 2023, o iFood firmou um acordo com o Cade para encerrar uma investigação sobre possíveis práticas anticoncorrenciais. Pelo compromisso, a empresa ficou proibida de manter contratos exclusivos com redes que tenham mais de 30 estabelecimentos.
Mesmo assim, o executivo da Keeta afirma que acordos semelhantes continuam sendo realizados no mercado. A empresa já levou questionamentos ao Cade contra concorrentes, incluindo a 99Food, acusada de práticas que poderiam dificultar a entrada de novas plataformas.
Investimento bilionário no Brasil
A chegada da Keeta ao país foi anunciada em maio do ano passado, durante um evento em Pequim que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na ocasião, a controladora da plataforma, a gigante chinesa Meituan, revelou um plano de investimento de cerca de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,6 bilhões) para expandir operações no Brasil.
Apesar das demissões no Rio de Janeiro, a empresa afirma que pretende manter cerca de 1.200 postos de trabalho no país e concentrar esforços no fortalecimento da operação em São Paulo antes de retomar planos de expansão para outras cidades brasileiras.




