Uma sucuri adulta vivendo isolada no fundo de uma cratera com cerca de 100 metros de profundidade, no Centro-Oeste do Brasil, tem despertado a atenção da comunidade científica e de visitantes da região. O animal foi avistado pela primeira vez em 2017, no interior do Buraco das Araras, formação geológica rara e considerada área de preservação ambiental.
O Buraco das Araras é uma dolina — tipo de depressão formada pela dissolução de rochas — com aproximadamente 100 metros de profundidade e 500 metros de circunferência. Suas paredes rochosas são quase verticais e cobertas por vegetação típica do Cerrado. No fundo da cratera, formam-se poças d’água permanentes ou sazonais, além de árvores adaptadas à baixa incidência de luz solar.
Esse ambiente abriga uma rica biodiversidade, com aves, répteis e pequenos mamíferos. Apesar do nome remeter às araras que sobrevoam e nidificam nas bordas da dolina, a presença da sucuri tornou-se um dos aspectos mais curiosos e comentados do local.

Mistério sobre a chegada da sucuri
A forma como a serpente chegou ao interior da cratera ainda é desconhecida. Guias e pesquisadores que acompanham a área levantam a hipótese de que o animal possa ter sido arrastado por uma enxurrada durante um período de chuvas intensas, ficando preso no fundo da dolina sem possibilidade de saída, devido à altura e à inclinação das paredes rochosas.
A sucuri foi avistada inicialmente por um turista, que utilizava um binóculo. Desde então, o animal passou a ser monitorado à distância por pesquisadores, já que o acesso ao interior do buraco é extremamente restrito.
Área de preservação e pesquisas científicas
Em 2007, o Buraco das Araras foi reconhecido pelo governo federal como Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Esse tipo de unidade de conservação é criado por iniciativa do proprietário da área, conforme estabelece o decreto federal nº 5.746/2006, e tem como objetivo preservar a biodiversidade local.
Desde o reconhecimento como RPPN, a entrada de pessoas no interior da dolina é proibida, sendo permitida apenas em casos excepcionais de pesquisa científica, sempre com autorização e acompanhamento de órgãos ambientais estaduais e federais.




