O Grupo Pão de Açúcar (GPA), quinto maior grupo supermercadista do Brasil, afirmou em documento financeiro que a continuidade das operações no país pode estar ameaçada diante da sequência de prejuízos registrados nos últimos trimestres. A empresa encerrou 2025 com R$ 20,6 bilhões em faturamento, mantém 37 mil funcionários e opera 728 lojas em todo o país.
A sinalização de risco aparece na nota explicativa 1.6 das demonstrações financeiras do quarto trimestre de 2025, divulgadas após o fechamento do mercado. No documento, o GPA afirma que a melhora operacional não tem sido suficiente para reverter os prejuízos acumulados.
Entre outubro e dezembro de 2025, a companhia registrou prejuízo de R$ 578 milhões, uma redução de 48% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando as perdas somaram R$ 1 bilhão. Apesar da diminuição, o resultado negativo continua pressionando o caixa.
Ao final do quarto trimestre, o GPA possuía R$ 1,7 bilhão em caixa, queda de 19% na comparação anual. Já a dívida bruta atingiu R$ 4 bilhões, mais que o dobro do valor disponível.
A situação é agravada pelo endividamento de curto prazo. A empresa apresenta déficit de capital circulante líquido de aproximadamente R$ 1,2 bilhão, principalmente devido a empréstimos e debêntures que vencem em 2026, no valor de R$ 1,7 bilhão.
Plano para evitar colapso
Em teleconferência com investidores, a diretoria executiva anunciou medidas para preservar a geração de caixa e evitar um agravamento da crise. Entre as ações previstas estão:
- Renegociação de dívidas financeiras com credores;
- Revisão e renegociação de contratos;
- Redução de investimentos;
- Venda de imóveis considerados ociosos;
- Estratégias para impulsionar receitas.
A deterioração financeira provocou reação imediata no mercado. As ações do GPA chegaram a cair cerca de 8%, sendo negociadas a R$ 2,88 no pregão desta quarta-feira (25).
O grupo opera atualmente 728 unidades e atende mais de 20 milhões de clientes por mês. Embora a empresa não tenha anunciado oficialmente fechamento de lojas ou demissões em massa, a menção ao risco de continuidade acende alerta sobre o futuro da rede e de seus 37 mil colaboradores.




