Os supermercados da Califórnia, nos Estados Unidos, começaram 2026 com uma mudança que afeta diretamente a rotina dos consumidores: desde 1º de janeiro, está totalmente proibida a distribuição de sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais. A nova regra obriga os clientes a levarem suas próprias sacolas ou utilizarem alternativas como sacos de papel reciclado, disponíveis para venda no caixa.
A medida faz parte da Senate Bill 1053 (SB 1053), legislação estadual que fecha a última brecha existente na política ambiental adotada pelo estado desde 2014.
Até então, a Califórnia já proibia sacolas plásticas finas, mas permitia o uso e a venda das versões mais espessas, classificadas como reutilizáveis. O efeito, no entanto, foi o oposto do esperado. Dados da agência ambiental estadual CalRecycle mostram que o descarte de sacolas plásticas aumentou 47% entre 2014 e 2022, impulsionado justamente por esses modelos mais grossos.
Com a nova lei, nem mesmo essas sacolas estão mais autorizadas. Apenas sacolas de papel e reutilizáveis de outros materiais podem ser oferecidas aos consumidores, seguindo regras específicas de resistência e sustentabilidade.
Objetivo é reduzir o lixo plástico
A SB 1053 foi aprovada e sancionada em 2024 pelo governador Gavin Newsom, mas teve a aplicação adiada por um ano para que os comerciantes pudessem esgotar seus estoques. Segundo Andrew LaMar, representante da senadora Catherine Blakespear, autora do projeto, a intenção foi garantir uma transição organizada.
Em nota oficial, Blakespear afirmou que a nova legislação conclui o objetivo original da lei ambiental do estado.
“Os californianos já estão prontos para fazer compras sem sacolas plásticas há muito tempo. A proibição vai eliminar milhões de sacolas do fluxo de lixo e ajudar a proteger melhor o meio ambiente”, disse a senadora.
Apoio ambiental e críticas econômicas
Organizações ambientais celebraram a mudança. Para Emily Parker, cientista marinha sênior da ONG Heal The Bay, o impacto será significativo.
“O que mais nos anima é saber que as sacolas plásticas de supermercados finalmente serão eliminadas por completo. A melhor forma de combater a poluição é migrar para opções reutilizáveis”, afirmou.
Por outro lado, a medida enfrenta críticas de setores econômicos. O economista Wayne Winegarden, do Pacific Research Institute, avalia que a proibição é excessiva.
“Existem meios mais eficazes de reciclagem e descarte adequado. Essa é uma política desnecessária e restritiva, que afeta a qualidade de vida na Califórnia”, declarou.
Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), o plástico pode levar de 100 a 1.000 anos para se decompor, dependendo das condições ambientais. Estudos científicos indicam ainda que o material não é biodegradável e que sua incineração libera substâncias tóxicas no ar.


