Creatina, whey protein, glutamina e ômega 3 estão entre os suplementos mais consumidos e reconhecidos por seus benefícios quando usados sob orientação profissional. Agora, um composto natural de origem vegetal também começa a ganhar espaço nesse cenário: a berberina, utilizada há séculos na medicina tradicional chinesa e na ayurvédica, como destaca o nutricionista Gabriel Moliterne.
A substância é encontrada em diversas plantas, como a barberry europeia, phellodendron, uva-do-Oregon, goldenseal e goldthread. Seus primeiros registros medicinais datam de mais de 3 mil anos, quando povos da China e do sul da Ásia cultivavam espécies que a continham. Havia usos também documentados na América do Sul, Oriente Médio e Europa, especialmente para tratar infecções e feridas.
O que a ciência já sabe
Pesquisas atuais investigam o potencial da berberina em condições como diabetes, colesterol alto e síndrome do ovário policístico (SOP). Seu mecanismo de ação está ligado à ativação da AMP-activated protein kinase (AMPK), enzima essencial para o equilíbrio energético das células. Isso influencia o metabolismo da glicose e dos lipídios, o que a coloca como candidata no manejo de doenças metabólicas.
Estudos preliminares sugerem que a berberina pode contribuir para o controle glicêmico, melhora do perfil lipídico e até no auxílio à perda de peso. Esses efeitos levaram parte do público a apelidá-la de “Ozempic natural”, em referência ao medicamento semaglutida, usado no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade.
Tradição e cautela
Apesar da popularidade crescente e do entusiasmo em torno do composto, pesquisadores alertam que a comparação direta entre a berberina e fármacos como o Ozempic pode ser simplista. Embora compartilhem potenciais benefícios no metabolismo, os mecanismos de ação são distintos e ainda faltam ensaios clínicos robustos que comprovem eficácia e segurança em larga escala.
Na medicina tradicional chinesa e na ayurvédica, plantas com berberina foram aplicadas ao longo da história em casos de inflamações, distúrbios digestivos, respiratórios e até problemas oculares. Hoje, os estudos continuam, mas especialistas defendem cautela: a substância mostra promessas, mas ainda não substitui suplementos consagrados como o whey protein nem medicamentos aprovados.




