Um aminoácido amplamente vendido como suplemento para melhorar foco, energia e desempenho mental pode estar ligado à redução da expectativa de vida em homens. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica Aging-US, que investigou a relação entre os aminoácidos fenilalanina e tirosina com a longevidade.
A pesquisa analisou dados de mais de 270 mil participantes do UK Biobank, um dos maiores bancos de informações genéticas e de saúde do mundo.
Inicialmente, tanto a fenilalanina quanto a tirosina pareceram estar associadas a maior risco de mortalidade. No entanto, após análises mais aprofundadas — incluindo modelagem genética — apenas a tirosina manteve uma relação consistente e potencialmente causal com a redução da expectativa de vida em homens.
Segundo as estimativas genéticas, homens com níveis elevados de tirosina no sangue poderiam viver, em média, quase um ano a menos. Entre as mulheres, não foi identificada associação significativa.
Já a fenilalanina não demonstrou impacto relevante na longevidade após o controle estatístico pela presença da tirosina.
Por que a tirosina chama atenção
A tirosina é um aminoácido presente naturalmente em alimentos ricos em proteína, como carnes, ovos, leite e leguminosas. No organismo, ela participa da produção de neurotransmissores como:
- Dopamina
- Noradrenalina
- Adrenalina
Essas substâncias estão relacionadas ao humor, motivação, foco e resposta ao estresse — o que explica a popularidade da tirosina em suplementos voltados para desempenho cognitivo e resistência ao estresse.
Apesar disso, os cientistas alertam que ainda não se compreende totalmente como níveis elevados da substância podem influenciar o processo de envelhecimento.
Possíveis explicações biológicas
Os pesquisadores levantam hipóteses para entender por que o efeito foi observado apenas em homens. Entre as possibilidades estão:
- Relação com resistência à insulina, condição ligada a doenças metabólicas
- Influência da tirosina em neurotransmissores associados ao estresse
- Diferenças hormonais entre homens e mulheres
O estudo também aponta que homens tendem a apresentar níveis mais altos de tirosina no sangue do que mulheres, o que pode contribuir para a diferença histórica na expectativa de vida entre os sexos.
Não é alerta imediato, mas pede cautela
Os autores destacam que os resultados não significam que o consumo alimentar normal de tirosina seja prejudicial. O foco da pesquisa está em níveis elevados da substância no sangue, o que pode estar relacionado a suplementação ou a fatores metabólicos individuais.
Especialistas reforçam que qualquer uso de suplementos deve ser acompanhado por orientação médica, especialmente quando o objetivo é melhorar desempenho cognitivo ou físico a longo prazo.




