Uma reviravolta no comércio internacional colocou o Brasil entre os principais beneficiados por mudanças nas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Após decisão da Suprema Corte americana que considerou ilegal parte das sobretaxas aplicadas pelo presidente Donald Trump, o país passou a registrar a maior redução média nas tarifas de exportação para o mercado norte-americano.
De acordo com a organização independente Global Trade Alert, o Brasil terá queda média de 13,6 pontos percentuais nas tarifas aplicadas aos seus produtos. É o maior recuo entre as economias analisadas. Na sequência aparecem China (-7,1 pontos) e Índia (-5,6 pontos).
A Suprema Corte dos EUA decidiu, por 6 votos a 3, que Trump excedeu sua autoridade ao usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, para impor tarifas globais sob justificativa de emergência nacional.
Após a derrota judicial, Trump reagiu elevando a tarifa global geral de 10% para 15%, utilizando a Seção 122 da legislação comercial americana — mecanismo que permite sobretaxas temporárias de até 15% por até 150 dias, dependendo posteriormente de aprovação do Congresso.
Mesmo com o novo patamar de 15%, economistas apontam que a taxa efetiva média de tarifas dos EUA deve cair para cerca de 12%, o menor nível desde o chamado “Liberation Day”, em abril, quando as sobretaxas mais pesadas foram anunciadas.
Brasil entre os maiores beneficiados
A queda nas tarifas representa um alívio para exportadores brasileiros, especialmente de commodities e produtos industriais que haviam sido atingidos pelas medidas anteriores.
O novo cenário praticamente “redefine o campo de jogo” no comércio global, segundo análises da Bloomberg Economics e de bancos como o Morgan Stanley. Para países que haviam sido mais penalizados, como China e Brasil, a reversão das tarifas emergenciais trouxe redução significativa da carga tributária nas exportações.
Já economias como Reino Unido e Austrália, que haviam negociado taxas menores no modelo anterior, podem perder vantagem relativa com a uniformização das tarifas globais.
Impactos e incertezas
Apesar do alívio momentâneo, analistas alertam que o cenário ainda é incerto. A Casa Branca estuda a implementação de tarifas setoriais e medidas específicas por país para reconstruir parte do regime tarifário anterior.
Além disso, as tarifas impostas via Seção 122 têm caráter temporário e precisam de aval do Congresso após 150 dias.
No mercado financeiro, o anúncio provocou reações mistas: o dólar e futuros do S&P 500 recuaram diante das incertezas, enquanto bolsas asiáticas, especialmente em Hong Kong, registraram alta.




