Na semana passada, uma declaração do governo de Donald Trump sobre as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) causou preocupação entre políticos aqui no Brasil. Na semana passada, o Departamento de Estado dos Estados Unidos afirmou que o governo Trump vê as facções como “ameaças de alcance regional”.
Também já havia sido divulgado na mídia que os Estados Unidos pretendiam classificar essas duas facções criminosas como “organizações terroristas”. “Os Estados Unidos veem as organizações criminosas brasileiras, inclusive o PCC e o CV, como ameaças significativas à segurança regional em função do seu envolvimento com o tráfico de drogas, violência e crime transnacional”, afirma trecho de matéria do UOL sobre o tema.
Aqui no Brasil, um projeto de lei já tinha tentado fazer essa classificação — apresentado pelo deputado Danilo Forte (União-CE) e relatado pelo bolsonarista Nikolas Ferreira (PL-MG) —, mas sem sucesso.
Mas por que a possibilidade dessas duas facções serem classificadas como organizações terroristas preocupa autoridades e estudiosos no Brasil?
O perigo por trás das falas do governo Trump sobre o PCC e o CV
Entrevistado pela Agência Pública sobre o assunto, Jorge Lasmar, professor permanente da pós-graduação em Relações Internacionais da PUC Minas, explica que a possibilidade gera preocupações sobre a possibilidade dos EUA usarem o combate a esses grupos como uma “desculpa” para fazer operações militares no Brasil (assim como eles fizeram na Venezuela recentemente).
Na visão de especialistas, isso seria uma ameaça à soberania do Brasil. Por isso mesmo, o governo brasileiro vem atuando nos bastidores para tentar fazer os Estados Unidos desistirem de classificar os grupos criminosos como terroristas.
Jorge Lasmar ainda explica na sua entrevista para a Agência Pública por que a classificação não faria sentido, destacando que o crime organizado e o terrorismo têm dinâmicas diferentes, processos de investigação e de persecução criminal diferentes. Além disso, a motivação de um grupo do crime organizado é monetária, enquanto a de um grupo terrorista é, primeiramente, ideológica.




