A direção da Uber reiterou que não há qualquer plano de encerramento das operações no Brasil, posição sustentada pelo presidente-executivo da companhia, Dara Khosrowshahi, em entrevista concedida à Folha de S. Paulo. De acordo com o executivo, o país ocupa atualmente a posição de maior mercado global para a empresa em volume de viagens, superando os Estados Unidos nesse indicador.
Ele classificou o território brasileiro como um local de permanência definitiva para os negócios, afastando a possibilidade de saída mesmo diante da iminente aprovação de uma legislação trabalhista que imponha regras mais rígidas ao setor de transporte por aplicativo.
Bilhões de corridas no Brasil
Desde a chegada ao Brasil, em 2014, a plataforma registrou mais de 17 bilhões de corridas e gerou aproximadamente R$ 230 bilhões em repasses aos motoristas parceiros. O executivo descreveu a operação nacional como um motor de expansão para a empresa, com desempenho superior ao observado no mercado norte-americano no que se refere à mobilidade urbana.
No centro da estratégia corporativa está o debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos. Khosrowshahi manifestou concordância com a criação de garantias mínimas aos condutores, como a contribuição para a seguridade social e a fixação de um piso para a remuneração.
Entretanto, manifestou oposição à proposta que prevê a obrigatoriedade do vínculo empregatício nos moldes da Consolidação das Leis do Trabalho. Na visão do executivo, esse enquadramento representaria um retrocesso em relação ao modelo de flexibilidade atualmente vigente, classificando a eventual mudança como um equívoco de grande magnitude.
A empresa estima que a adoção de determinadas exigências em análise pelo governo poderia elevar o custo das corridas entre 50% e 60%, o que, segundo a projeção interna, reduziria o número de motoristas com capacidade de obter rendimento por meio da plataforma.




