Uma declaração do empresário Luciano Hang, dono da rede varejista Havan, gerou debate nas redes sociais após a divulgação de um vídeo em que ele critica grafites feitos em um viaduto de Goiânia (GO). Na gravação publicada na terça-feira (10), Hang afirma que a intervenção artística seria pichação e cobra punições mais duras para esse tipo de ação.
O empresário cita nominalmente o tatuador e grafiteiro Smith, conhecido por realizar pinturas em espaços públicos da capital goiana. Hang classificou a intervenção como vandalismo e afirmou que o artista teria participado da ação acompanhado de um menor de idade.
No vídeo publicado em suas redes sociais, Hang afirma que o viaduto localizado na Avenida Goiás Norte, em frente a uma unidade recém-inaugurada da Havan, havia sido pintado recentemente quando foi novamente marcado por desenhos.
“O indivíduo que se identifica como Smith Art Tattoo pichou o viaduto que tínhamos acabado de pintar. Ele ainda gravou e publicou nas redes sociais. Isso é crime no Brasil”, declarou o empresário.
Hang também defendeu punições mais severas, incluindo prisão para casos de vandalismo. Segundo ele, o local já foi novamente pintado e medidas legais teriam sido tomadas. “Espero que a Justiça faça alguma coisa”, afirmou.
O muro do viaduto havia sido pintado no fim de janeiro pelo próprio empresário ao lado do prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), pouco antes da inauguração da loja da rede na cidade.
Que absurdo!
— Luciano Hang (@LucianoHangBr) March 10, 2026
Vocês lembram quando fomos em Goiânia e pintamos aquele viaduto que estava todo pichado? Não demorou muito tempo e um pichador foi lá emporcalhar o espaço.
E descobrimos quem foi o criminoso, foi o Smith Art Tattoo, que postou nas suas próprias redes sociais. Não… pic.twitter.com/aPuKfzl5OY
Diferença entre grafite e pichação
A legislação brasileira faz distinção entre pichação e grafite. O artigo 65 da Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998) prevê detenção de três meses a um ano e multa para quem pichar ou danificar edificações ou monumentos urbanos.
Por outro lado, o mesmo dispositivo estabelece que grafite não é considerado crime quando realizado como manifestação artística e com autorização do proprietário do imóvel ou do órgão público responsável.

O grafite ganhou força como movimento cultural a partir da década de 1970 e atualmente está presente em grandes cidades ao redor do mundo, muitas vezes associado a expressões culturais e críticas sociais.
No Brasil, a prática também é celebrada anualmente no Dia Internacional do Grafite, em 27 de março, data que homenageia o artista Alex Vallauri, considerado pioneiro do movimento no país. A data busca valorizar a arte urbana e discutir sua importância cultural nas cidades.
Grafiteiro rebate acusações
Após a repercussão da publicação, Smith Art Tattoo respondeu às declarações. O artista contestou a classificação da intervenção como pichação e afirmou que o grafite é uma forma de arte urbana.
Em manifestação pública, ele criticou a retirada de pinturas anteriores que existiam no local. Segundo o grafiteiro, o muro abrigava trabalhos de diversos artistas, inclusive nomes com reconhecimento internacional.
“Ali havia obras de artistas que vendem telas valorizadas. Ele simplesmente cobriu tudo com tinta cinza”, afirmou.

Smith também disse que trabalha com grafite desde 2005 e que a atividade tem papel social importante, especialmente entre jovens da periferia. “O grafite faz parte da nossa cultura. Muitos encontram na arte uma forma de se afastar da criminalidade”, declarou.




