Pesquisadores de instituições brasileiras e norte-americanas concluíram que a febre do Oropouche atinge uma parcela da população muito superior à registrada pelos sistemas oficiais de saúde. Segundo levantamento divulgado em 24 de março, a estimativa aponta que, para cada caso notificado, podem existir até 200 ocorrências reais da doença.
O estudo, conduzido por um consórcio formado pela University of Kentucky, Universidade de São Paulo, Universidade Estadual de Campinas e Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas, também quantificou o impacto histórico da infecção na região.
Entre 1960 e 2025, aproximadamente 9,4 milhões de pessoas foram infectadas na América Latina e no Caribe, sendo que mais da metade desse total, cerca de 5,5 milhões, corresponde a casos no Brasil.
Ampliação da transmissão
De acordo com informações obtidas pela Agência Brasil, o diretor de Operações do Instituto Todos pela Saúde, Vanderson Sampaio, explicou que, embora o ciclo silvestre do vírus seja amplamente conhecido, tem-se observado recentemente a ocorrência de ciclos urbanos em capitais, um fenômeno pouco comum até então.
Ele acrescentou que, diante da baixa exposição prévia da população ao patógeno, há potencial para ampliação da transmissão. O especialista destacou ainda que ainda não é possível dimensionar com precisão a quantidade de casos graves, uma vez que o número de ocorrências registradas permanece reduzido.
A pesquisa utilizou dados sorológicos obtidos a partir de amostras de sangue coletadas em três períodos distintos: novembro de 2023, junho de 2024 e novembro de 2024. A análise permitiu identificar a presença de anticorpos contra o vírus e revelou que o alcance do surto entre 2023 e 2024 em Manaus foi semelhante ao registrado entre 1980 e 1981, atingindo cerca de 12,5% da população da capital e aproximando-se de 15% no âmbito estadual.




