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Vítima de golpe no Pix poderá receber até 50% do valor de volta com reembolso do banco

Por Pedro Silvini
31/03/2026
Em Geral
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golpe

Foto: (Reprodução/Shutterstock)

Uma decisão recente do Tribunal de Justiça de Santa Catarina trouxe o debate sobre a responsabilidade dos bancos em casos de golpe via Pix. O entendimento da Corte aponta que vítimas podem ter direito ao ressarcimento parcial dos valores perdidos, mesmo quando há participação indireta no prejuízo.

O caso analisado envolve uma cliente que caiu no chamado “golpe do bilhete premiado” e realizou uma transferência de cerca de R$ 20 mil. Em primeira instância, o banco havia sido condenado a devolver integralmente o valor e pagar indenização por danos morais. No entanto, a decisão foi parcialmente reformada.

Por maioria de votos, os desembargadores entenderam que houve culpa concorrente. Isso significa que tanto a cliente quanto a instituição financeira contribuíram para o prejuízo.

De um lado, a vítima realizou a transferência voluntariamente, sem indícios de invasão da conta ou falha direta de segurança. De outro, o banco foi considerado parcialmente responsável por não identificar, em tempo hábil, que a movimentação fugia do padrão habitual da correntista.

Com isso, o ressarcimento pode ser limitado, em alguns casos, chegando a cerca de 50% do valor perdido. A decisão não cria uma regra automática, mas abre precedente para situações semelhantes serem analisadas com base nesse entendimento.

Como funciona o reembolso no Pix

Atualmente, vítimas de golpes podem recorrer ao chamado Mecanismo Especial de Devolução (MED), regulamentado pelo Banco Central do Brasil.

O processo segue algumas etapas:

  • A vítima deve comunicar o banco imediatamente após perceber o golpe;
  • A instituição aciona o MED e notifica o banco recebedor;
  • Os valores podem ser bloqueados preventivamente;
  • A análise do caso ocorre em até sete dias;
  • Confirmada a fraude, o dinheiro pode ser devolvido em até 96 horas após a conclusão.

Desde 2026, uma versão aprimorada do sistema busca acelerar esse processo, com prazo total que pode chegar a até 11 dias.

Crescimento das fraudes preocupa

O avanço dos golpes financeiros tem pressionado autoridades e instituições. Dados do Banco Central indicam que, apenas em 2024, foram registradas cerca de 4,7 milhões de fraudes envolvendo Pix, com prejuízos que somam R$ 6,5 bilhões.

Apesar disso, a taxa de recuperação dos valores ainda é baixa, com cerca de 7% do total sendo efetivamente devolvido às vítimas.

Especialistas recomendam que, ao identificar uma fraude, o usuário aja rapidamente:

  • Entre em contato com o banco imediatamente;
  • Registre um boletim de ocorrência;
  • Formalize a contestação pelo aplicativo ou canais oficiais;
  • Procure órgãos como Procon ou o próprio Banco Central, se necessário.

A decisão da Justiça catarinense reforça que cada caso será analisado individualmente, mas indica uma tendência de maior responsabilização das instituições financeiras, especialmente quando houver falhas na detecção de operações atípicas.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Pedro Silvini

Pedro Silvini

Jornalista com formação em Mídias Sociais Digitais, colunista de conteúdo social e opinativo. Apaixonado por cinema, música, literatura e cultura regional.

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