{"id":10028,"date":"2025-06-16T05:58:27","date_gmt":"2025-06-16T08:58:27","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=10028"},"modified":"2025-06-16T05:58:29","modified_gmt":"2025-06-16T08:58:29","slug":"novo-idioma-pode-ser-oficializado-e-substituir-o-portugues-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/novo-idioma-pode-ser-oficializado-e-substituir-o-portugues-no-brasil\/","title":{"rendered":"Novo idioma pode ser oficializado e substituir o portugu\u00eas no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<p>Nas ruas de Portugal, dizer palavras como &#8220;frigor\u00edfico&#8221;, &#8220;ficar de lado&#8221; ou &#8220;rapariga&#8221; \u00e9 algo comum. J\u00e1 no Brasil, essas palavras t\u00eam significados diferentes: geladeira, ladeira e mo\u00e7a, respectivamente. Esse \u00e9 apenas um dos muitos exemplos das profundas diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas falado no Brasil e o de Portugal, varia\u00e7\u00f5es que, segundo alguns linguistas, podem levar a um processo oficial de separa\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica em breve.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores apontam que o portugu\u00eas falado no Brasil j\u00e1 se descolou tanto do padr\u00e3o europeu que, em um futuro pr\u00f3ximo, poder\u00e1 ser reconhecido oficialmente como uma nova l\u00edngua: o \u201cbrasileiro\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos principais defensores dessa ideia \u00e9 o linguista portugu\u00eas Fernando Ven\u00e2ncio, autor do livro Assim Nasceu uma L\u00edngua. Segundo ele, o idioma que chamamos de portugu\u00eas nasceu originalmente na Gal\u00edcia, regi\u00e3o que hoje pertence \u00e0 Espanha, e n\u00e3o no que hoje \u00e9 Portugal. O linguista defende que o portugu\u00eas brasileiro, com suas influ\u00eancias ind\u00edgenas, africanas e internas, desenvolveu-se de forma t\u00e3o aut\u00f4noma que j\u00e1 configura uma nova l\u00edngua.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde a independ\u00eancia do Brasil, em 1822, o pa\u00eds tem acumulado o que os estudiosos chamam de <em>brasileirismos<\/em> \u2014 express\u00f5es, vocabul\u00e1rio e constru\u00e7\u00f5es gramaticais pr\u00f3prias. O contato com mais de mil l\u00ednguas ind\u00edgenas, al\u00e9m da forte influ\u00eancia de idiomas africanos como os da fam\u00edlia banto, gerou um portugu\u00eas falado com identidade \u00fanica.<\/p>\n\n\n\n<p>Express\u00f5es como cafun\u00e9, banguela e fofoca nasceram da mistura com l\u00ednguas africanas, enquanto palavras como mandioca, tatu e tiet\u00ea s\u00e3o legados ind\u00edgenas que n\u00e3o existiam no vocabul\u00e1rio europeu.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O portugu\u00eas do Brasil \u00e9 um s\u00f3?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Nem mesmo dentro do territ\u00f3rio brasileiro \u00e9 poss\u00edvel falar em uma vers\u00e3o \u00fanica da l\u00edngua. O pa\u00eds apresenta fortes varia\u00e7\u00f5es regionais, como o &#8220;r caipira&#8221; do interior paulista, o &#8220;s chiado&#8221; do carioca, ou o sotaque cantado do nordeste.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo especialistas, essa diversidade fortalece ainda mais a ideia de que o Brasil j\u00e1 construiu uma nova l\u00edngua \u2014 rica, plural e moldada por sua pr\u00f3pria realidade hist\u00f3rica e cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, o portugu\u00eas \u00e9 falado em nove pa\u00edses da Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa (CPLP), incluindo Brasil, Portugal, Angola e Mo\u00e7ambique. \u00c9 tamb\u00e9m idioma oficial em Macau e falado por mais de 280 milh\u00f5es de pessoas, com o Brasil concentrando mais de 80% dos falantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, h\u00e1 uma clara divis\u00e3o entre o portugu\u00eas europeu e o brasileiro, tanto na fala quanto na escrita. Tentativas de padroniza\u00e7\u00e3o, como o Acordo Ortogr\u00e1fico, t\u00eam sido alvo de cr\u00edticas e resist\u00eancias \u2014 principalmente no Brasil, onde muitos argumentam que a l\u00edngua j\u00e1 seguiu seu pr\u00f3prio caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>A hip\u00f3tese de uma oficializa\u00e7\u00e3o do \u201cbrasileiro\u201d como l\u00edngua independente ainda \u00e9 vista com ceticismo por muitas autoridades e linguistas conservadores. Mas o movimento j\u00e1 existe, especialmente entre estudiosos que consideram que o idioma falado pela maioria dos brasileiros n\u00e3o precisa mais ser validado pela norma europeia.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas ruas de Portugal, dizer palavras como &#8220;frigor\u00edfico&#8221;, &#8220;ficar de lado&#8221; ou &#8220;rapariga&#8221; \u00e9 algo comum. J\u00e1 no Brasil, essas palavras t\u00eam significados diferentes: geladeira, ladeira e mo\u00e7a, respectivamente. 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