{"id":13049,"date":"2025-07-19T09:32:00","date_gmt":"2025-07-19T12:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=13049"},"modified":"2025-07-16T08:38:47","modified_gmt":"2025-07-16T11:38:47","slug":"biblia-pode-virar-material-obrigatorio-em-escolas-apos-aprovacao-de-lei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/biblia-pode-virar-material-obrigatorio-em-escolas-apos-aprovacao-de-lei\/","title":{"rendered":"B\u00edblia pode virar material obrigat\u00f3rio em escolas ap\u00f3s aprova\u00e7\u00e3o de lei"},"content":{"rendered":"\n<p>A C\u00e2mara Municipal de Belo Horizonte aprovou, em segundo turno, o Projeto de Lei 825\/2024, que autoriza a leitura da B\u00edblia em escolas p\u00fablicas e privadas da capital mineira. Aprovado na sess\u00e3o do dia 8 de abril, o texto teve 28 votos favor\u00e1veis, 8 contr\u00e1rios e 2 absten\u00e7\u00f5es, e agora segue para a san\u00e7\u00e3o ou veto do prefeito \u00c1lvaro Dami\u00e3o (sem partido).<\/p>\n\n\n\n<p>De autoria da vereadora Fl\u00e1via Borja (Democracia Crist\u00e3), o projeto estabelece que a B\u00edblia poder\u00e1 ser utilizada nas salas de aula com finalidade cultural, hist\u00f3rica, geogr\u00e1fica e arqueol\u00f3gica, sem car\u00e1ter religioso obrigat\u00f3rio. A proposta, no entanto, gerou intenso debate entre os vereadores e reacendeu discuss\u00f5es sobre os limites da laicidade do Estado brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Argumentos a favor: conte\u00fado milenar e liter\u00e1rio<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A autora do projeto defendeu a medida como um recurso pedag\u00f3gico para ampliar o repert\u00f3rio dos alunos:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cN\u00e3o estamos trazendo como material religioso. Poderia ser, mas n\u00e3o \u00e9 esse o objetivo. O objetivo \u00e9 o enriquecimento do conte\u00fado dentro das escolas\u201d, argumentou Borja.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ela destacou que a B\u00edblia permite abordar <strong>civiliza\u00e7\u00f5es antigas como Israel e Babil\u00f4nia<\/strong>, al\u00e9m de oferecer <strong>g\u00eaneros liter\u00e1rios como poesia, par\u00e1bolas e cr\u00f4nicas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>O vereador <strong>Cl\u00e1udio do Mundo Novo (PL)<\/strong> tamb\u00e9m manifestou apoio, afirmando que o texto b\u00edblico pode transmitir <strong>valores \u00e9ticos e morais<\/strong> \u00e0s crian\u00e7as. J\u00e1 <strong>Pablo Almeida (PL)<\/strong> ressaltou que o Estado \u00e9 laico, mas n\u00e3o \u201claicista ou ateu\u201d, e destacou que a participa\u00e7\u00e3o nas aulas ser\u00e1 <strong>opcional<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Cr\u00edticas: risco \u00e0 laicidade e \u00e0 pluralidade religiosa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A proposta foi duramente criticada por parlamentares da oposi\u00e7\u00e3o, como <strong>Juhlia Santos (Psol)<\/strong>, <strong>Pedro Patrus (PT)<\/strong> e <strong>Cida Falabella (Psol)<\/strong>. Para eles, o projeto fere o <strong>artigo 19 da Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/strong>, que pro\u00edbe alian\u00e7a entre o Estado e institui\u00e7\u00f5es religiosas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cAprovar esse PL seria rasgar as leis. O Estado \u00e9 laico, n\u00e3o pode privilegiar uma cren\u00e7a em detrimento das outras\u201d, disse Juhlia Santos.<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Os cr\u00edticos tamb\u00e9m alertaram para o <strong>risco de constrangimento<\/strong> de crian\u00e7as ateias ou de religi\u00f5es n\u00e3o crist\u00e3s, e defenderam a <strong>prioriza\u00e7\u00e3o de conte\u00fados cient\u00edficos<\/strong> no ambiente escolar.<\/p>\n\n\n\n<p>A vereadora <strong>Luiza Dulci (PT)<\/strong> lembrou que a B\u00edblia pode ser estudada, mas <strong>em contextos confessionais ou com pluralidade religiosa garantida<\/strong>, algo que o projeto n\u00e3o assegura.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Decis\u00e3o do STF pode pesar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O projeto reacende uma pauta j\u00e1 analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em 2021, a Corte declarou inconstitucionais leis estaduais do Amazonas e Mato Grosso do Sul que tornavam obrigat\u00f3ria a presen\u00e7a da B\u00edblia em escolas p\u00fablicas e bibliotecas, por ferirem o princ\u00edpio da laicidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o entendimento do STF na \u00e9poca, esse tipo de obrigatoriedade representa uma interfer\u00eancia indevida do Estado em mat\u00e9ria religiosa, mesmo que com suposto fim cultural.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A C\u00e2mara Municipal de Belo Horizonte aprovou, em segundo turno, o Projeto de Lei 825\/2024, que autoriza a leitura da B\u00edblia em escolas p\u00fablicas e privadas da capital mineira. 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