{"id":14907,"date":"2025-08-02T15:15:00","date_gmt":"2025-08-02T18:15:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=14907"},"modified":"2025-08-01T16:24:30","modified_gmt":"2025-08-01T19:24:30","slug":"vulcao-mais-velho-do-mundo-fica-no-brasil-e-poucos-sabem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/vulcao-mais-velho-do-mundo-fica-no-brasil-e-poucos-sabem\/","title":{"rendered":"Vulc\u00e3o mais velho do mundo fica no Brasil e poucos sabem"},"content":{"rendered":"\n<p>Quando se fala em vulc\u00f5es, muitos pensam de imediato em lugares como Jap\u00e3o, Indon\u00e9sia ou Hava\u00ed. No entanto, poucos brasileiros sabem que o vulc\u00e3o mais antigo do mundo est\u00e1 no Brasil, mais precisamente no sul do estado do Par\u00e1, na regi\u00e3o de Uatum\u00e3, pr\u00f3ximo ao cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Trata-se do Vulc\u00e3o Amazonas, uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica extinta que tem cerca de 1,9 bilh\u00e3o de anos e foi identificada por pesquisadores brasileiros apenas em 2002. Desde ent\u00e3o, tornou-se pe\u00e7a-chave para compreender a evolu\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p>O Vulc\u00e3o Amazonas, com impressionantes 22 km de di\u00e2metro e 400 metros de altura, \u00e9 o que restou de uma antiga caldeira vulc\u00e2nica que hoje est\u00e1 completamente erodida. Isso significa que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel visualiz\u00e1-lo como os vulc\u00f5es ativos comumente conhecidos. Seu &#8220;retrato&#8221; atual \u00e9 revelado apenas por meio de an\u00e1lises geol\u00f3gicas e imagens de radar.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudos realizados pelo Instituto de Geoci\u00eancias da Unicamp mostram que a regi\u00e3o da chamada Prov\u00edncia Mineral de Alta Floresta, que se estende por \u00e1reas do Par\u00e1 e do Mato Grosso, passou por pelo menos tr\u00eas grandes ciclos de vulcanismo: h\u00e1 2 bilh\u00f5es, 1,88 bilh\u00e3o e 1,78 bilh\u00e3o de anos. Esses eventos teriam deixado marcas profundas, n\u00e3o s\u00f3 no solo, mas na hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o do Cr\u00e1ton Amaz\u00f4nico, uma das estruturas geol\u00f3gicas mais antigas do continente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"990\" height=\"667\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-14911\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2.png 990w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-300x202.png 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-768x517.png 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-150x101.png 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-750x505.png 750w\" sizes=\"(max-width: 990px) 100vw, 990px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(Reprodu\u00e7\u00e3o\/Unicamp)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como se forma um vulc\u00e3o?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A origem dos vulc\u00f5es est\u00e1 diretamente ligada ao movimento das&nbsp;<strong>placas tect\u00f4nicas<\/strong>&nbsp;e \u00e0 presen\u00e7a do&nbsp;<strong>magma<\/strong>&nbsp;sob a crosta terrestre. Quando essas placas se afastam ou colidem, abrem caminho para que o magma suba \u00e0 superf\u00edcie, provocando erup\u00e7\u00f5es. No caso do Vulc\u00e3o Amazonas, esse processo ocorreu durante o&nbsp;<strong>Paleoproterozoico<\/strong>, uma era marcada por intensa movimenta\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>A forma\u00e7\u00e3o de uma caldeira como a encontrada na regi\u00e3o amaz\u00f4nica ocorre quando a c\u00e2mara de magma se esvazia ap\u00f3s uma grande erup\u00e7\u00e3o, causando o colapso da superf\u00edcie acima dela. O resultado \u00e9 uma&nbsp;<strong>depress\u00e3o circular com bordas elevadas<\/strong>, estrutura semelhante \u00e0 observada hoje no&nbsp;<strong>Parque de Yellowstone<\/strong>, nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um laborat\u00f3rio natural de pistas do passado<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A pesquisa que revelou o Vulc\u00e3o Amazonas foi liderada pelo ge\u00f3logo&nbsp;<strong>Andr\u00e9 Kunifoshita<\/strong>, com orienta\u00e7\u00e3o da professora&nbsp;<strong>Maria Jos\u00e9 Mesquita<\/strong>, da Unicamp, e participa\u00e7\u00e3o do professor&nbsp;<strong>Felipe Holanda dos Santos<\/strong>, da UFC. Utilizando m\u00e9todos como data\u00e7\u00e3o por&nbsp;<strong>ur\u00e2nio-chumbo<\/strong>, petrografia e an\u00e1lise geoqu\u00edmica, os cientistas identificaram a presen\u00e7a de&nbsp;<strong>riolitos<\/strong>&nbsp;e outras rochas pirocl\u00e1sticas t\u00edpicas de erup\u00e7\u00f5es antigas.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses materiais revelam que o vulc\u00e3o passou por&nbsp;<strong>pulsos vulc\u00e2nicos distintos<\/strong>, semelhantes ao que ainda ocorre em vulc\u00f5es ativos como o&nbsp;<strong>Monte Etna<\/strong>, na It\u00e1lia. Al\u00e9m disso, os pesquisadores identificaram&nbsp;<strong>diques de magma fossilizado<\/strong>, formando estruturas em anel ao redor da antiga caldeira \u2014 mais uma pista do passado explosivo da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que n\u00e3o h\u00e1 mais vulc\u00f5es ativos no Brasil?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Atualmente, o Brasil n\u00e3o possui vulc\u00f5es em atividade. Isso acontece porque o pa\u00eds est\u00e1 localizado&nbsp;<strong>no centro da Placa Sul-Americana<\/strong>, uma regi\u00e3o geologicamente est\u00e1vel. Os grandes vulc\u00f5es ativos do mundo est\u00e3o concentrados nas&nbsp;<strong>bordas das placas tect\u00f4nicas<\/strong>, onde os choques e deslocamentos s\u00e3o mais frequentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, forma\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas extintas podem ser encontradas em diversas regi\u00f5es brasileiras, como em&nbsp;<strong>Fernando de Noronha<\/strong>, no&nbsp;<strong>Sul do pa\u00eds<\/strong>, e at\u00e9 mesmo na&nbsp;<strong>Baixada Fluminense (RJ)<\/strong>. Esses registros s\u00e3o como&nbsp;<strong>f\u00f3sseis da atividade vulc\u00e2nica<\/strong>, fundamentais para compreender o passado geol\u00f3gico do territ\u00f3rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando se fala em vulc\u00f5es, muitos pensam de imediato em lugares como Jap\u00e3o, Indon\u00e9sia ou Hava\u00ed. No entanto, poucos brasileiros sabem que o vulc\u00e3o mais antigo do mundo est\u00e1 no Brasil, mais precisamente no sul do estado do Par\u00e1, na regi\u00e3o de Uatum\u00e3, pr\u00f3ximo ao cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Trata-se do Vulc\u00e3o Amazonas, uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":9,"featured_media":14910,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":{"format":"standard"},"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_override_counter":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-14907","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"_referencia":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14907","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/users\/9"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14907"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14907\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":14912,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14907\/revisions\/14912"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14910"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}