{"id":15417,"date":"2025-08-07T14:46:54","date_gmt":"2025-08-07T17:46:54","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=15417"},"modified":"2025-08-07T14:46:56","modified_gmt":"2025-08-07T17:46:56","slug":"viajar-para-paris-pode-desencadear-grave-transtorno-psicologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/viajar-para-paris-pode-desencadear-grave-transtorno-psicologico\/","title":{"rendered":"Viajar para Paris pode desencadear grave transtorno psicol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"\n<p>Ao contr\u00e1rio do que se imagina, uma viagem para Paris \u2014 aclamada mundialmente por sua arte, gastronomia e atmosfera rom\u00e2ntica \u2014 pode n\u00e3o ser apenas um conto de fadas. Em alguns casos raros, a experi\u00eancia pode desencadear um quadro psicol\u00f3gico intenso, conhecido como&nbsp;<strong>S\u00edndrome de Paris<\/strong>, um transtorno caracterizado por sintomas como alucina\u00e7\u00f5es, ansiedade aguda e desorienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O fen\u00f4meno, embora n\u00e3o reconhecido oficialmente pelo Manual Diagn\u00f3stico e Estat\u00edstico de Transtornos Mentais (DSM), j\u00e1 foi identificado por m\u00e9dicos e psiquiatras desde a d\u00e9cada de 1980 e continua a despertar interesse da comunidade cient\u00edfica internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>A condi\u00e7\u00e3o foi descrita pela primeira vez em 1980 pelo psiquiatra japon\u00eas\u00a0Hiroaki Ota, que trabalhava no hospital Sainte-Anne, em Paris. Ota observou que diversos turistas japoneses apresentavam\u00a0sintomas f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos graves\u00a0ap\u00f3s a chegada \u00e0 cidade. Entre os relatos mais comuns estavam\u00a0taquicardia, tontura, alucina\u00e7\u00f5es, sudorese, n\u00e1usea, sensa\u00e7\u00e3o de persegui\u00e7\u00e3o e forte desilus\u00e3o emocional.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo especialistas, trata-se de uma forma extrema de&nbsp;<strong>choque cultural<\/strong>&nbsp;\u2014 uma rea\u00e7\u00e3o intensa ao confronto entre&nbsp;<strong>expectativas idealizadas<\/strong>&nbsp;sobre o destino e a realidade encontrada no local. \u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie de colapso mental desencadeado por uma disson\u00e2ncia simb\u00f3lica entre a cultura de origem e a cultura local\u201d, define o soci\u00f3logo Mathieu Deflem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que a s\u00edndrome afeta mais turistas japoneses?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A maior incid\u00eancia da S\u00edndrome de Paris entre os japoneses pode ser explicada por uma s\u00e9rie de fatores:<\/p>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\">\n<li><strong>Idealiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica<\/strong>: Paris \u00e9 amplamente retratada em filmes, livros e propagandas como um local rom\u00e2ntico, sofisticado e culturalmente refinado. Produ\u00e7\u00f5es como\u00a0<em>Am\u00e9lie<\/em>,\u00a0<em>Before Sunset<\/em>\u00a0e\u00a0<em>An American in Paris<\/em>\u00a0refor\u00e7am essa imagem on\u00edrica.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Diferen\u00e7as culturais marcantes<\/strong>: a educa\u00e7\u00e3o, as normas sociais e o comportamento franc\u00eas \u2014 que pode parecer frio ou rude \u2014 contrastam com a cultura japonesa, que valoriza a cortesia, o sil\u00eancio e a coletividade.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Barreiras lingu\u00edsticas e isolamento social<\/strong>, que aumentam a sensa\u00e7\u00e3o de solid\u00e3o e desamparo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Dist\u00farbios psicol\u00f3gicos preexistentes<\/strong>\u00a0e\u00a0<strong>fadiga causada pelas longas viagens internacionais<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m podem contribuir para desencadear o transtorno.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p>De acordo com a embaixada do Jap\u00e3o em Paris, at\u00e9&nbsp;<strong>12 casos por ano<\/strong>&nbsp;j\u00e1 foram registrados oficialmente, com necessidade de&nbsp;<strong>repatria\u00e7\u00e3o m\u00e9dica<\/strong>&nbsp;em situa\u00e7\u00f5es mais graves. Um caso emblem\u00e1tico ocorreu em 2007, quando quatro turistas japoneses foram enviados de volta ao pa\u00eds ap\u00f3s desenvolverem a cren\u00e7a de que estavam sendo espionados em seus quartos de hotel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>N\u00e3o apenas entre japoneses<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Embora os japoneses sejam os mais afetados \u2014 em parte por representarem o quinto maior mercado tur\u00edstico de Paris \u2014, a S\u00edndrome de Paris&nbsp;<strong>n\u00e3o se restringe a uma \u00fanica nacionalidade<\/strong>. Relatos semelhantes j\u00e1 foram feitos por turistas de outras partes do mundo, que se sentiram desorientados ou emocionalmente abalados diante da realidade urbana da capital francesa.<\/p>\n\n\n\n<p>O psiquiatra&nbsp;<strong>Youcef Mahmoudia<\/strong>, do hospital H\u00f4tel-Dieu, em Paris, relaciona o transtorno a uma&nbsp;<strong>psicopatologia de viagem<\/strong>, similar \u00e0&nbsp;<strong>S\u00edndrome de Stendhal<\/strong>&nbsp;\u2014 condi\u00e7\u00e3o em que o contato com um excesso de beleza art\u00edstica pode provocar sintomas como vertigem, euforia ou ang\u00fastia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio do que se imagina, uma viagem para Paris \u2014 aclamada mundialmente por sua arte, gastronomia e atmosfera rom\u00e2ntica \u2014 pode n\u00e3o ser apenas um conto de fadas. 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