{"id":20997,"date":"2025-10-05T15:48:00","date_gmt":"2025-10-05T18:48:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=20997"},"modified":"2025-10-05T18:51:53","modified_gmt":"2025-10-05T21:51:53","slug":"apos-muita-discussao-nome-de-origem-africana-e-aprovado-pela-justica-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/apos-muita-discussao-nome-de-origem-africana-e-aprovado-pela-justica-brasileira\/","title":{"rendered":"Ap\u00f3s muita discuss\u00e3o, nome de origem africana \u00e9 aprovado pela Justi\u00e7a brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p>A Vara de Registros P\u00fablicos de Belo Horizonte autorizou, nesta ter\u00e7a-feira (30), o registro de uma rec\u00e9m-nascida com o prenome\u00a0<strong>Tumi<\/strong>, de origem africana. A decis\u00e3o foi assinada pela ju\u00edza\u00a0<strong>Daniela Bertolini Rosa Coelho<\/strong>, que reconheceu a import\u00e2ncia cultural da escolha. No entanto, o tribunal rejeitou o uso do segundo nome,\u00a0<strong>Mboup<\/strong>, solicitado pelos pais, sob o argumento de que poderia causar dificuldades administrativas e de pron\u00fancia no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A escolha de \u201cTumi\u201d e \u201cMboup\u201d foi feita pelos pais da crian\u00e7a, a historiadora&nbsp;<strong>Kelly Cristina da Silva<\/strong>, 41, e o soci\u00f3logo&nbsp;<strong>F\u00e1bio Rodrigo Vicente Tavares<\/strong>, 46, como um ato pol\u00edtico de reafricaniza\u00e7\u00e3o. Eles j\u00e1 haviam nomeado outros dois filhos com refer\u00eancias africanas \u2014 \u00cdsis e Os\u00edris.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a magistrada, o nome \u201cTumi\u201d carrega significados como \u201cfama\u201d, \u201crenome\u201d e \u201cprest\u00edgio\u201d em l\u00ednguas de matriz africana, sem representar constrangimento para a crian\u00e7a. \u201cO nome \u00e9 s\u00edmbolo de resist\u00eancia e pertencimento a uma hist\u00f3ria muitas vezes silenciada. Reconhecer nomes de origem africana \u00e9 tamb\u00e9m combater o racismo estrutural\u201d, escreveu Daniela na decis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 o termo \u201cMboup\u201d, de origem senegalesa e utilizado em mais de 30 pa\u00edses, foi vetado. Segundo a ju\u00edza, sua sonoridade e grafia poderiam gerar d\u00favidas sobre se se trata de prenome ou sobrenome, criando riscos de \u201cconfus\u00e3o administrativa e jur\u00eddica\u201d no sistema de registros.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Debate sobre identidade e apagamento<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Os pais da crian\u00e7a criticaram a decis\u00e3o parcial, afirmando que a retirada de nomes de origem africana foi, historicamente, uma ferramenta de \u201cdesafricaniza\u00e7\u00e3o\u201d de povos escravizados no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO nome Mboup saiu do Senegal e ganhou o mundo. No s\u00e9culo XXI, vejo-me cerceado em meu direito constitucional de nomear minha filha\u201d, disse o pai, F\u00e1bio, que classificou o processo como parte de uma luta contra o apagamento cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>A magistrada, no entanto, refor\u00e7ou que a Constitui\u00e7\u00e3o e o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) determinam que o registro civil seja claro e compreens\u00edvel, equilibrando o direito \u00e0 identidade com a seguran\u00e7a jur\u00eddica.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a decis\u00e3o, a certid\u00e3o de nascimento dever\u00e1 ser emitida apenas com o prenome&nbsp;<strong>Tumi<\/strong>, enquanto o pedido de nome composto foi negado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Vara de Registros P\u00fablicos de Belo Horizonte autorizou, nesta ter\u00e7a-feira (30), o registro de uma rec\u00e9m-nascida com o prenome\u00a0Tumi, de origem africana. 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