{"id":26638,"date":"2025-11-23T15:32:00","date_gmt":"2025-11-23T18:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=26638"},"modified":"2025-11-21T10:14:32","modified_gmt":"2025-11-21T13:14:32","slug":"brasil-construiu-a-sua-propria-area-51-para-trabalhar-um-grande-projeto-de-armas-nucleares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/brasil-construiu-a-sua-propria-area-51-para-trabalhar-um-grande-projeto-de-armas-nucleares\/","title":{"rendered":"Brasil construiu a sua pr\u00f3pria \u00c1rea 51 para trabalhar um grande projeto de armas nucleares"},"content":{"rendered":"\n<p>No sul do Par\u00e1, em uma regi\u00e3o isolada e de acesso controlado conhecida como&nbsp;<strong>Campo de Provas Brigadeiro Velloso (CPBV)<\/strong>, o Brasil manteve por d\u00e9cadas aquilo que autoridades classificavam como um verdadeiro&nbsp;<strong>\u201csegredo de Estado\u201d<\/strong>. A \u00e1rea militar da&nbsp;<strong>Serra do Cachimbo<\/strong>, hoje conhecida por abrigar estruturas de treinamento da For\u00e7a A\u00e9rea Brasileira (FAB), foi, no passado, o centro do&nbsp;<strong>\u201cPrograma Paralelo\u201d<\/strong>&nbsp;\u2014 uma iniciativa clandestina que tinha como objetivo dominar o ciclo completo do combust\u00edvel nuclear com finalidades b\u00e9licas.<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciado durante o regime militar, o programa corria \u00e0 margem do acordo nuclear firmado com a Alemanha, respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o das usinas de Angra. Conduzido diretamente pelas For\u00e7as Armadas, o projeto avan\u00e7ou silenciosamente, buscando dotar o pa\u00eds da capacidade aut\u00f4noma de produzir um artefato nuclear em pleno contexto da Guerra Fria.<\/p>\n\n\n\n<p>Documentos oficiais hoje dispon\u00edveis no Acervo Nacional mostram que o Programa Paralelo chegou a etapas decisivas. No centro da opera\u00e7\u00e3o estava uma perfura\u00e7\u00e3o de&nbsp;<strong>320 metros de profundidade<\/strong>, codinome&nbsp;<strong>\u201cTango\u201d<\/strong>, localizada dentro do CPBV. O po\u00e7o foi projetado para a realiza\u00e7\u00e3o de um&nbsp;<strong>teste nuclear subterr\u00e2neo<\/strong>, considerado o passo final para comprovar a capacidade at\u00f4mica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>A justificativa para o investimento era a busca por&nbsp;<strong>autonomia estrat\u00e9gica<\/strong>,&nbsp;<strong>dissuas\u00e3o militar<\/strong>&nbsp;e a inten\u00e7\u00e3o de posicionar o Brasil entre o grupo restrito de na\u00e7\u00f5es com potencial nuclear, em uma \u00e9poca marcada por tens\u00f5es globais e disputas geopol\u00edticas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"450\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/image-118.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-26685\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/image-118.png 750w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/image-118-300x180.png 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/11\/image-118-150x90.png 150w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(Reprodu\u00e7\u00e3o\/Minist\u00e9rio da Defesa)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Uma \u00e1rea militar gigantesca e preservada<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Informa\u00e7\u00f5es divulgadas em 2018 pelo governo federal revelam a dimens\u00e3o do CPBV: cerca de&nbsp;<strong>22 mil quil\u00f4metros quadrados<\/strong>, o equivalente ao tamanho de Sergipe. A \u00e1rea \u00e9 dividida entre estruturas administrativas e operacionais, incluindo estande de tiro para aeronaves, pista de pouso e alvos distribu\u00eddos pelo territ\u00f3rio \u2014 tudo isso cercado por extensas \u00e1reas verdes e mananciais preservados da Serra do Cachimbo.<\/p>\n\n\n\n<p>A FAB mant\u00e9m a fiscaliza\u00e7\u00e3o e a prote\u00e7\u00e3o ambiental da regi\u00e3o, considerada um importante reduto de biodiversidade no norte do pa\u00eds. Ao longo dos anos, in\u00fameras tentativas de invas\u00e3o para explora\u00e7\u00e3o ilegal de madeira e min\u00e9rios foram repelidas, refor\u00e7ando a fun\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica e ecol\u00f3gica da \u00e1rea.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Da avia\u00e7\u00e3o ao segredo nuclear: um hist\u00f3rico singular<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O CPBV tem origem ainda na d\u00e9cada de 1950, quando a Serra do Cachimbo se tornou ponto de apoio para aeronaves que cruzavam o Brasil. Em 3 de setembro de 1950, dois avi\u00f5es pousaram em uma clareira arenosa, dando in\u00edcio \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o militar da regi\u00e3o. A partir de 1954, come\u00e7aram as obras de infraestrutura, mas o campo s\u00f3 foi oficialmente institu\u00eddo em 1983, ap\u00f3s a cria\u00e7\u00e3o de um grupo t\u00e9cnico solicitado pelo Estado-Maior das For\u00e7as Armadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, o local transformou-se em um dos espa\u00e7os mais estrat\u00e9gicos do pa\u00eds \u2014 primeiro para o avan\u00e7o da avia\u00e7\u00e3o, depois como n\u00facleo de testes e, posteriormente, como centro do programa nuclear sigiloso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No sul do Par\u00e1, em uma regi\u00e3o isolada e de acesso controlado conhecida como&nbsp;Campo de Provas Brigadeiro Velloso (CPBV), o Brasil manteve por d\u00e9cadas aquilo que autoridades classificavam como um verdadeiro&nbsp;\u201csegredo de Estado\u201d. 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