{"id":30084,"date":"2025-12-22T08:42:29","date_gmt":"2025-12-22T11:42:29","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=30084"},"modified":"2025-12-22T08:42:32","modified_gmt":"2025-12-22T11:42:32","slug":"pais-vizinho-do-brasil-foi-considerado-a-arabia-saudita-da-america-latina-por-seu-dinheiro-abundante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/pais-vizinho-do-brasil-foi-considerado-a-arabia-saudita-da-america-latina-por-seu-dinheiro-abundante\/","title":{"rendered":"Pa\u00eds vizinho do Brasil foi considerado a Ar\u00e1bia Saudita da Am\u00e9rica Latina por seu dinheiro abundante"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje associada a uma grave crise humanit\u00e1ria e a um dos maiores \u00eaxodos da hist\u00f3ria recente das Am\u00e9ricas, a Venezuela j\u00e1 foi sin\u00f4nimo de riqueza e prosperidade. Vizinha do Brasil, a na\u00e7\u00e3o sul-americana chegou a ser chamada de <strong>\u201cAr\u00e1bia Saudita da Am\u00e9rica Latina\u201d<\/strong>, apelido que refletia a abund\u00e2ncia de dinheiro impulsionada pela explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo e pelo alto padr\u00e3o de vida de sua popula\u00e7\u00e3o durante boa parte do s\u00e9culo 20.<\/p>\n\n\n\n<p>Na primeira metade do s\u00e9culo 20, a Venezuela j\u00e1 despontava como um dos maiores produtores de petr\u00f3leo do mundo. A virada definitiva veio ap\u00f3s 1958, com a queda do regime militar de Marcos P\u00e9rez Jim\u00e9nez. Entre <strong>1959 e 1983<\/strong>, o pa\u00eds viveu o que muitos historiadores classificam como suas <strong>tr\u00eas melhores d\u00e9cadas econ\u00f4micas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo, o crescimento m\u00e9dio anual foi de <strong>4,3%<\/strong>, o desemprego se manteve em torno de <strong>10%<\/strong> e a infla\u00e7\u00e3o era menor do que a registrada em outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. A estabilidade do bol\u00edvar permitia que venezuelanos viajassem com frequ\u00eancia ao exterior, especialmente para Miami, ent\u00e3o vista como um para\u00edso de consumo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1970, segundo \u00edndices da <strong>OCDE<\/strong>, os venezuelanos tinham o <strong>maior poder de compra da Am\u00e9rica Latina<\/strong>, quase tr\u00eas vezes superior ao dos brasileiros. Caracas exibia pr\u00e9dios modernos, rodovias largas e hot\u00e9is considerados luxuosos para a \u00e9poca. O pa\u00eds tamb\u00e9m ostentava um t\u00edtulo curioso: o de <strong>maior consumidor de u\u00edsque do mundo<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"758\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/804e010c54b650b246c6c8ba9f9ff65f-1200x758.jpg\" alt=\"Venezuela\" class=\"wp-image-30085\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/804e010c54b650b246c6c8ba9f9ff65f-1200x758.jpg 1200w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/804e010c54b650b246c6c8ba9f9ff65f-300x189.jpg 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/804e010c54b650b246c6c8ba9f9ff65f-768x485.jpg 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/804e010c54b650b246c6c8ba9f9ff65f-1536x970.jpg 1536w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/804e010c54b650b246c6c8ba9f9ff65f-150x95.jpg 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/804e010c54b650b246c6c8ba9f9ff65f-750x473.jpg 750w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/804e010c54b650b246c6c8ba9f9ff65f-1140x720.jpg 1140w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/804e010c54b650b246c6c8ba9f9ff65f.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Venezuela nos anos 60 (Reprodu\u00e7\u00e3o\/Internet)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Entre os mais ricos do planeta<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O auge n\u00e3o se restringia ao cen\u00e1rio regional. Nas d\u00e9cadas de 1970 e 1980, a Venezuela foi o <strong>pa\u00eds mais rico da Am\u00e9rica do Sul<\/strong> e figurou entre os <strong>20 mais ricos do mundo<\/strong>, beneficiada pela alta dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo. O pa\u00eds det\u00e9m at\u00e9 hoje as <strong>maiores reservas comprovadas de petr\u00f3leo do planeta<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 cerca de 25 anos, o Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano era de <strong>US$ 122,9 bilh\u00f5es<\/strong>, com crescimento de 3,4%. No mesmo per\u00edodo, a Col\u00f4mbia registrava PIB de US$ 98,2 bilh\u00f5es e crescimento de 1,7%, enquanto o Brasil avan\u00e7ava apenas 1,4%.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Do protagonismo ao colapso<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O cen\u00e1rio come\u00e7ou a se deteriorar com a chegada de Hugo Ch\u00e1vez ao poder e se agravou sob o governo de Nicol\u00e1s Maduro. Especialistas apontam uma combina\u00e7\u00e3o de m\u00e1 gest\u00e3o econ\u00f4mica, corrup\u00e7\u00e3o crescente, envolvimento com o narcotr\u00e1fico e restri\u00e7\u00f5es a direitos civis e democr\u00e1ticos como fatores centrais do decl\u00ednio.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Associated Press, com base em entrevistas com economistas, \u201ca queda da Venezuela \u00e9 o maior colapso econ\u00f4mico fora de uma guerra em pelo menos 45 anos\u201d. Entre 2014 e 2021, o PIB do pa\u00eds encolheu cerca de 70%. Em 2020, a economia recuou aproximadamente 30%, enquanto a hiperinfla\u00e7\u00e3o atingiu 300 mil por cento em 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>As consequ\u00eancias sociais s\u00e3o dram\u00e1ticas. De acordo com a Ag\u00eancia da ONU para Refugiados (<a href=\"https:\/\/www.unrefugees.org\/emergencies\/venezuela\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ACNUR<\/a>), quase 8 milh\u00f5es de venezuelanos \u2014 cerca de um quarto da popula\u00e7\u00e3o \u2014 deixaram o pa\u00eds, configurando o maior movimento migrat\u00f3rio da hist\u00f3ria moderna das Am\u00e9ricas. Hoje, 70% das pessoas que cruzam o perigoso Estreito de Dari\u00e9n rumo ao norte s\u00e3o venezuelanas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1000\" height=\"530\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-30086\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265.png 1000w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265-300x159.png 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265-768x407.png 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265-150x80.png 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/image-265-750x398.png 750w\" sizes=\"(max-width: 1000px) 100vw, 1000px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Migra\u00e7\u00e3o na Venezuela (Reprodu\u00e7\u00e3o\/Getty Images)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Entre os que permanecem no pa\u00eds, a situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 cr\u00edtica. Dados da ONU e da USAID indicam que 7,6 milh\u00f5es de pessoas precisam de ajuda humanit\u00e1ria. Relat\u00f3rio do Unicef aponta que um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o deixa de fazer ao menos uma refei\u00e7\u00e3o por dia, e 12% passam um dia inteiro sem comer.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, a taxa de pobreza ultrapassa 91%, e 67% da popula\u00e7\u00e3o vive em extrema pobreza, segundo dados recentes. No \u00cdndice de Prosperidade do Legatum Institute, que avalia riqueza e qualidade de vida, a Venezuela ocupa a 145\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre 167 pa\u00edses, ficando \u00e0 frente apenas do Haiti na Am\u00e9rica Latina e no Caribe.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje associada a uma grave crise humanit\u00e1ria e a um dos maiores \u00eaxodos da hist\u00f3ria recente das Am\u00e9ricas, a Venezuela j\u00e1 foi sin\u00f4nimo de riqueza e prosperidade. 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