{"id":30403,"date":"2025-12-26T14:41:10","date_gmt":"2025-12-26T17:41:10","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=30403"},"modified":"2025-12-26T14:41:12","modified_gmt":"2025-12-26T17:41:12","slug":"por-que-nao-vemos-mais-os-pratos-marrons-que-nossos-avos-adoravam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/por-que-nao-vemos-mais-os-pratos-marrons-que-nossos-avos-adoravam\/","title":{"rendered":"Por que n\u00e3o vemos mais os pratos marrons que nossos av\u00f3s adoravam?"},"content":{"rendered":"\n<p>Eles estavam em praticamente todas as mesas: na merenda escolar, no restaurante por quilo, no caf\u00e9 da tarde em fam\u00edlia. Resistentes, baratos e de tom marrom inconfund\u00edvel, os pratos \u00e2mbar da Duralex marcaram gera\u00e7\u00f5es de brasileiros. Mas, discretamente, desapareceram das prateleiras. O que era utens\u00edlio cotidiano virou artigo de luxo \u2014 e hoje pode custar milhares de reais.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta passa por mudan\u00e7as industriais, decis\u00f5es comerciais e, mais recentemente, pela for\u00e7a da nostalgia, que transformou lou\u00e7as comuns em pe\u00e7as disputadas por colecionadores.<\/p>\n\n\n\n<p>A Duralex nasceu em 1945, na Fran\u00e7a, logo ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial, criada pelo grupo Saint-Gobain. A empresa se destacou ao dominar a t\u00e9cnica do vidro temperado, mais resistente ao calor e a impactos. O nome vem do latim <em>Dura lex, sed lex<\/em> (\u201ca lei \u00e9 dura, mas \u00e9 a lei\u201d), refor\u00e7ando a proposta de robustez e confiabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Importada para o Brasil a partir dos anos 1950, a marca ganhou for\u00e7a de vez nas d\u00e9cadas seguintes, especialmente quando passou a ser fabricada nacionalmente. A produ\u00e7\u00e3o local come\u00e7ou nos anos 1980, pela Santa Marina, e a linha \u00e2mbar \u2014 pratos, copos, x\u00edcaras e pires em vidro marrom \u2014 virou sin\u00f4nimo de durabilidade e custo acess\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 1990, os produtos j\u00e1 estavam por toda parte. Eram mais baratos que a porcelana, dif\u00edceis de quebrar e suportavam o uso intenso do dia a dia. A Duralex chegou a empregar cerca de 1.500 pessoas e produziu mais de 130 milh\u00f5es de unidades ao redor do mundo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"900\" height=\"506\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/f847ceae-024e-4384-9b50-13f76bfcb6c0.jpeg\" alt=\"prato duralex\" class=\"wp-image-16537\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/f847ceae-024e-4384-9b50-13f76bfcb6c0.jpeg 900w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/f847ceae-024e-4384-9b50-13f76bfcb6c0-300x169.jpeg 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/f847ceae-024e-4384-9b50-13f76bfcb6c0-768x432.jpeg 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/f847ceae-024e-4384-9b50-13f76bfcb6c0-150x84.jpeg 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/f847ceae-024e-4384-9b50-13f76bfcb6c0-750x422.jpeg 750w\" sizes=\"(max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A descontinua\u00e7\u00e3o silenciosa da linha \u00e2mbar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>A virada come\u00e7ou em 2011, quando a opera\u00e7\u00e3o brasileira passou para o controle da Nadir Figueiredo, maior fabricante nacional de vidros dom\u00e9sticos, ap\u00f3s a compra da Santa Marina. No ano seguinte, em 2012, a decis\u00e3o foi tomada: a famosa linha \u00e2mbar seria descontinuada.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, a Duralex segue ativa no Brasil, mas com modelos atualizados em vidro temperado apenas nas cores transparente e azul, vendidos atualmente por valores entre R$ 50 e R$ 109 o kit com seis pe\u00e7as. A marca brasileira, inclusive, opera de forma independente da matriz francesa.<\/p>\n\n\n\n<p>A retirada da linha marrom do mercado n\u00e3o foi acompanhada de grandes an\u00fancios \u2014 e muitos consumidores s\u00f3 perceberam o sumi\u00e7o quando j\u00e1 n\u00e3o encontravam mais os produtos \u00e0 venda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>De prato comum a objeto de desejo<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O que parecia apenas uma mudan\u00e7a de portf\u00f3lio acabou criando um fen\u00f4meno inesperado. Com a produ\u00e7\u00e3o encerrada, os itens antigos passaram a ganhar valor no mercado de usados. Hoje, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar copos e pratos sendo vendidos por mais de R$ 100 a unidade em plataformas online.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 an\u00fancios ainda mais extremos: quatro pe\u00e7as por R$ 2.890, seis pires por R$ 2.600 e at\u00e9 conjuntos completos \u2014 com pratos, x\u00edcaras, pires e travessas \u2014 listados por valores que chegam a R$ 50 mil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles estavam em praticamente todas as mesas: na merenda escolar, no restaurante por quilo, no caf\u00e9 da tarde em fam\u00edlia. Resistentes, baratos e de tom marrom inconfund\u00edvel, os pratos \u00e2mbar da Duralex marcaram gera\u00e7\u00f5es de brasileiros. Mas, discretamente, desapareceram das prateleiras. 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