{"id":30783,"date":"2026-01-10T08:17:00","date_gmt":"2026-01-10T11:17:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=30783"},"modified":"2026-01-05T10:13:12","modified_gmt":"2026-01-05T13:13:12","slug":"planta-capaz-de-produzir-ouro-e-comum-no-brasil-mas-nem-todo-mundo-sabe-dessa-utilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/planta-capaz-de-produzir-ouro-e-comum-no-brasil-mas-nem-todo-mundo-sabe-dessa-utilidade\/","title":{"rendered":"Planta capaz de produzir ouro \u00e9 comum no Brasil, mas nem todo mundo sabe dessa utilidade"},"content":{"rendered":"\n<p>Pouco conhecida fora do meio cient\u00edfico, uma t\u00e9cnica chamada <strong>fitominera\u00e7\u00e3o<\/strong> vem ganhando destaque por permitir a extra\u00e7\u00e3o de metais preciosos, como ouro, n\u00edquel e cobre, a partir de plantas comuns em diversas regi\u00f5es do planeta, inclusive no Brasil. O m\u00e9todo utiliza esp\u00e9cies chamadas de <strong>hiperacumuladoras<\/strong>, capazes de absorver grandes quantidades de metais do solo e armazen\u00e1-los em seus tecidos, oferecendo uma alternativa mais sustent\u00e1vel \u00e0 minera\u00e7\u00e3o tradicional.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo come\u00e7a com a escolha de solos naturalmente ricos em metais. As plantas hiperacumuladoras retiram esses elementos pelas ra\u00edzes e os armazenam nas folhas, caules ou brotos, muitas vezes na forma de nanopart\u00edculas. Para as plantas, os metais n\u00e3o s\u00e3o t\u00f3xicos \u2014 pelo contr\u00e1rio, funcionam como um mecanismo de defesa contra insetos, fungos e outros predadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, cerca de <strong>700 esp\u00e9cies<\/strong> com essa capacidade j\u00e1 foram identificadas. Algumas conseguem concentrar n\u00edquel, zinco, cobre, cobalto, terras raras e at\u00e9 ouro. No Brasil, esse tipo de planta \u00e9 relativamente comum em \u00e1reas com solos met\u00e1licos, o que desperta interesse econ\u00f4mico e ambiental.<\/p>\n\n\n\n<p>O uso dessas plantas come\u00e7ou nos anos 1980, inicialmente como uma forma de <strong>limpeza de solos contaminados<\/strong> por atividades industriais ou nucleares. Um dos casos mais emblem\u00e1ticos foi o uso de plantas para remover c\u00e9sio radioativo do solo em \u00e1reas afetadas pelo desastre de Chernobyl.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d\u00e9cada de 1990, cientistas avan\u00e7aram um passo al\u00e9m e passaram a explorar o potencial econ\u00f4mico do m\u00e9todo. Assim nasceu a fitominera\u00e7\u00e3o: em vez de descartar os metais absorvidos pelas plantas, eles passaram a ser recuperados e utilizados pela ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Exemplo pr\u00e1tico: colheita de n\u00edquel<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Em pa\u00edses da Europa e dos B\u00e1lc\u00e3s, como a Alb\u00e2nia, agricultores j\u00e1 cultivam esp\u00e9cies do g\u00eanero <strong>Odontarrhena<\/strong>, que acumulam grandes quantidades de n\u00edquel. Ap\u00f3s a colheita, as plantas s\u00e3o secas e queimadas. O processo gera um res\u00edduo conhecido como <strong>bio-min\u00e9rio<\/strong>, uma cinza rica em metal.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa cinza \u00e9 lavada, tratada com \u00e1cido sulf\u00farico e transformada em <strong>sulfato de n\u00edquel<\/strong>, mat\u00e9ria-prima muito utilizada na produ\u00e7\u00e3o de baterias de grande porte, especialmente para carros el\u00e9tricos. Em m\u00e9dia, at\u00e9 <strong>2% do peso seco da planta<\/strong> pode se transformar em n\u00edquel aproveit\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"525\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-15.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-30786\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-15.png 1200w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-15-300x131.png 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-15-768x336.png 768w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-15-150x66.png 150w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-15-750x328.png 750w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/image-15-1140x499.png 1140w\" sizes=\"(max-width: 1200px) 100vw, 1200px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">(Reprodu\u00e7\u00e3o\/Metalplant)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A fitominera\u00e7\u00e3o surge como resposta aos impactos severos da minera\u00e7\u00e3o tradicional, que envolve desmatamento, grandes volumes de rejeitos t\u00f3xicos e alto consumo de energia. No caso do n\u00edquel, por exemplo, a produ\u00e7\u00e3o convencional pode gerar entre <strong>10 e 59 toneladas de CO\u2082 por tonelada de metal<\/strong> extra\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com plantas, parte desse impacto \u00e9 reduzida. As culturas capturam carbono da atmosfera durante o crescimento, e mesmo com a libera\u00e7\u00e3o de CO\u2082 na queima das plantas, o balan\u00e7o final de emiss\u00f5es \u00e9 pr\u00f3ximo de zero. Al\u00e9m disso, o m\u00e9todo pode ser aplicado em <strong>terras \u00e1ridas ou impr\u00f3prias para a agricultura<\/strong>, ampliando o uso produtivo do solo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Por que o m\u00e9todo pode ganhar espa\u00e7o no Brasil<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Embora a t\u00e9cnica possa ser aplicada a diversos metais, o foco atual est\u00e1 no n\u00edquel, cuja demanda deve <strong>dobrar at\u00e9 2050<\/strong>, segundo a Ag\u00eancia Internacional de Energia, impulsionada pelo crescimento do mercado de ve\u00edculos el\u00e9tricos. Hoje, grande parte da oferta vem de minas concentradas na Indon\u00e9sia, muitas delas sob controle chin\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen\u00e1rio, pa\u00edses como o Brasil \u2014 que possuem solos ricos em metais, mas nem sempre em altas concentra\u00e7\u00f5es \u2014 podem usar a fitominera\u00e7\u00e3o como alternativa estrat\u00e9gica para garantir abastecimento interno, reduzir impactos ambientais e diversificar a economia mineral.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouco conhecida fora do meio cient\u00edfico, uma t\u00e9cnica chamada fitominera\u00e7\u00e3o vem ganhando destaque por permitir a extra\u00e7\u00e3o de metais preciosos, como ouro, n\u00edquel e cobre, a partir de plantas comuns em diversas regi\u00f5es do planeta, inclusive no Brasil. 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