{"id":34268,"date":"2026-02-08T13:13:00","date_gmt":"2026-02-08T16:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/?p=34268"},"modified":"2026-02-03T14:04:57","modified_gmt":"2026-02-03T17:04:57","slug":"animal-dado-como-extinto-ressurge-na-america-do-sul-e-percorre-3-200-km-ate-voltar-ao-habitat-natural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/animal-dado-como-extinto-ressurge-na-america-do-sul-e-percorre-3-200-km-ate-voltar-ao-habitat-natural\/","title":{"rendered":"Animal dado como extinto ressurge na Am\u00e9rica do Sul e percorre 3.200 km at\u00e9 voltar ao habitat natural"},"content":{"rendered":"\n<p>Considerado extinto no norte da Argentina h\u00e1 mais de 110 anos, o\u00a0<strong>guanaco<\/strong>, um dos maiores camel\u00eddeos da Am\u00e9rica do Sul, voltou a ocupar o antigo territ\u00f3rio no Chaco Seco. O retorno da esp\u00e9cie foi poss\u00edvel gra\u00e7as a uma opera\u00e7\u00e3o in\u00e9dita de conserva\u00e7\u00e3o, que envolveu o transporte terrestre de\u00a0<strong>3.200 quil\u00f4metros<\/strong>, a maior transloca\u00e7\u00e3o de fauna j\u00e1 registrada no mundo com fins ambientais.<\/p>\n\n\n\n<p>O feito foi liderado pela organiza\u00e7\u00e3o\u00a0<strong>Rewilding Argentina<\/strong>, em parceria com a Administra\u00e7\u00e3o de Parques Nacionais e os governos das prov\u00edncias de Chaco e Santa Cruz. Os animais foram levados do\u00a0<strong>Parque Patagonia<\/strong>, no extremo sul do pa\u00eds, at\u00e9 o\u00a0<strong>Parque Nacional El Impenetrable<\/strong>, onde o guanaco havia desaparecido no in\u00edcio do s\u00e9culo 20.<\/p>\n\n\n\n<p>A extin\u00e7\u00e3o local do guanaco no Chaco Seco foi causada por d\u00e9cadas de ca\u00e7a intensiva, avan\u00e7o da pecu\u00e1ria, perda de pastagens naturais e uso inadequado do fogo. Embora a esp\u00e9cie ainda exista em outras regi\u00f5es da Am\u00e9rica do Sul, sua aus\u00eancia provocou um desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico profundo no bioma chaque\u00f1o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para viabilizar o retorno, os pesquisadores precisaram desenvolver&nbsp;<strong>t\u00e9cnicas in\u00e9ditas de captura, manejo e transporte<\/strong>, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de currais de pr\u00e9-soltura e um trailer especial para deslocar grupos familiares inteiros. Antes da libera\u00e7\u00e3o definitiva, os guanacos passaram por um per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o no parque, onde j\u00e1 nasceram os primeiros filhotes \u2014 conhecidos como&nbsp;<em>chulengos<\/em>&nbsp;\u2014 e os animais come\u00e7aram a se alimentar da vegeta\u00e7\u00e3o nativa.<\/p>\n\n\n\n<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.facebook.com\/plugins\/video.php?height=476&amp;href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Freel%2F2557373804647782%2F&amp;show_text=false&amp;width=267&amp;t=0\" width=\"267\" height=\"476\"><\/iframe>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Um elo perdido do ecossistema<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O guanaco desempenha um papel ecol\u00f3gico fundamental. Como grande herb\u00edvoro, ele ajuda a&nbsp;<strong>modelar a paisagem<\/strong>, favorece a diversidade de plantas, reduz o risco de inc\u00eandios ao consumir vegeta\u00e7\u00e3o seca e contribui para a redistribui\u00e7\u00e3o de sementes, nutrientes e carbono no solo. Al\u00e9m disso, integra cadeias alimentares mais amplas, servindo de presa para grandes predadores e alimento para carniceiros.<\/p>\n\n\n\n<p>A aus\u00eancia de animais como o guanaco, o veado-campeiro e o cervo-do-pantanal \u2014 tamb\u00e9m extintos localmente \u2014 resultou em um processo de degrada\u00e7\u00e3o ambiental que esp\u00e9cies menores n\u00e3o conseguem compensar.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"740\" height=\"388\" src=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-23.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-34269\" srcset=\"https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-23.png 740w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-23-300x157.png 300w, https:\/\/diariodocomercio.com.br\/mix\/wp-content\/uploads\/2026\/02\/image-23-150x79.png 150w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Guanaco (Reprodu\u00e7\u00e3o\/Reddit)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Antes da chegada dos colonizadores europeus, o guanaco era presen\u00e7a comum nos campos abertos do Chaco. Para os povos origin\u00e1rios, o animal tem forte valor cultural. Os qom o chamam de&nbsp;<strong>Nawananga<\/strong>, os wich\u00eds de&nbsp;<strong>Lu\u2019h\u00fct<\/strong>&nbsp;e os guaranis de&nbsp;<strong>Guasukaka<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEm tempos antigos, havia nawananga por todo o Chaco. Desde que os brancos chegaram, eles desapareceram\u201d, recorda Montiel Romero, informante do povo qom, em depoimento resgatado pelo projeto.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, fora dessa reintrodu\u00e7\u00e3o, restam apenas cerca de&nbsp;<strong>100 indiv\u00edduos<\/strong>&nbsp;em \u00e1reas isoladas na fronteira entre Paraguai e Bol\u00edvia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Monitoramento e futuro da esp\u00e9cie<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Todos os guanacos liberados no Parque Nacional El Impenetrable usam&nbsp;<strong>coleiras com r\u00e1dio VHF e GPS<\/strong>, que enviam dados via sat\u00e9lite. O monitoramento permite acompanhar a adapta\u00e7\u00e3o dos animais, seus deslocamentos e a intera\u00e7\u00e3o com os diferentes ambientes do parque, incluindo \u00e1reas conhecidas localmente como \u201cca\u00f1os\u201d, antigos leitos do rio Bermejo.<\/p>\n\n\n\n<p>A expectativa \u00e9 liberar novos grupos nos pr\u00f3ximos anos, formando uma popula\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel e autossustent\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m do impacto ambiental positivo, o retorno do guanaco tamb\u00e9m fortalece o&nbsp;<strong>turismo de natureza<\/strong>&nbsp;na regi\u00e3o. A observa\u00e7\u00e3o de fauna silvestre j\u00e1 come\u00e7a a atrair visitantes e criar novas oportunidades econ\u00f4micas para comunidades locais, mostrando que conserva\u00e7\u00e3o e desenvolvimento podem caminhar juntos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Considerado extinto no norte da Argentina h\u00e1 mais de 110 anos, o\u00a0guanaco, um dos maiores camel\u00eddeos da Am\u00e9rica do Sul, voltou a ocupar o antigo territ\u00f3rio no Chaco Seco. 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